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Nasce editora para unir autores lusófonos de três continentes
09-Nov-2006

A aspiração de oferecer ao mercado brasileiro obras literárias de autores exclusivamente lusófonos levou à criação de uma nova editora no país, que pretende abranger culturas de três continentes.

A editora, batizada como Língua Geral, visa a "explorar a imensidade do universo da língua portuguesa", e as singularidades de cada nação, bem como a promover uma troca entre Brasil e os outros países que falam o idioma, segundo seus fundadores.

O projeto é fruto de uma aliança entre a produtora cultural portuguesa Conceição Lopes, a empresária brasileira Fátima Otero e o escritor angolano José Eduardo Agualusa.

"A idéia é criar uma editora capaz de divulgar no Brasil a produção literária que se faz na África de língua portuguesa, em Portugal, mas também no próprio Brasil", disse Agualusa em entrevista à agência Efe.

"Autores fora do eixo Rio-São Paulo, autores jovens e também autores clássicos, não publicados ou mal publicados no Brasil" terão seu espaço nas diferentes coleções, disse o romancista.

O projeto começou com a publicação de duas coleções, batizadas de Mama África e Ponta-de-lança.

A primeira recupera contos tradicionais africanos, ilustrados por três artistas plásticos que Agualusa define como os mais importantes do continente: o angolano António Ole e os moçambicanos Malangatana Valente Ngwenya e Roberto Chichorro.

Dirigidas ao público infanto-juvenil, as obras incluídas nesta coleção misturam tradição e modernidade, pintura e literatura.

Por enquanto, são quatro títulos, entre eles "O beijo da palavrinha", um conto do moçambicano Antonio Emílio Leite Couto, mais conhecido como Mia Couto, com ilustrações de Malangatana, e "O filho do vento", do próprio Agualusa, com ilustrações de António Ole.

As outras obras dentro da coleção são "O homem que não podia olhar para trás", um conto do moçambicano Nelson Saúte ilustrado por Chichorro, que também fez as imagens de "Debaixo do arco-íris não passa ninguém", com poemas do angolano Zetho Cunha Gonçalves.

Os autores mais modernos, novos ou pouco conhecidos pelo público, terão seu espaço na Ponta-de-lança.

A coleção começou com "Dicionário de pequenas solidões", do mineiro Ronaldo Cagiano; "Sobre a neblina", da também mineira Christiane Tassis; "O Evangelho segundo a serpente", e "Amor em segunda mão", das portuguesas Faíza Hayat e Patrícia Reis, respectivamente.

Em 2007, será lançada uma coleção com contos escritos por grandes autores que levarão a uma reflexão sobre a história política e social do Brasil por meio de questões concretas, como o homossexualismo e o racismo, aos que serão consagrados os primeiros títulos.

Outra será Sal na Língua, dedicada a autores clássicos. O primeiro livro da coleção, a ser lançado em março, terá contos de Machado de Assis que nunca foram reunidos em uma antologia. Seguirá "As farpas", um conjunto de crônicas escritas por Eça de Queiroz entre 1871 e 1872.

No primeiro semestre de 2007 também deve ser lançada a coleção Língua-de-fogo, coma pensadores como João Camillo Penna.

Completam os projetos da editora "Vidas em Português", uma série de biografias de personalidades como Amílcar Cabral, considerado o pai da independência de Cabo Verde e Guiné-Bissau, e uma coleção sobre lendas do Brasil e de Portugal.

A Língua Geral espera vender a partir de 2007 alguns títulos nos países lusófonos africanos.

Embora nos últimos anos as grandes editoras tenham começado a se interessar por autores de Portugal e africanos em língua portuguesa, "ainda há muita coisa a descobrir", disse Agualusa, que aponta uma influência crescente do cinema na literatura e considera que o mercado brasileiro é um dos poucos do mundo em expansão.

Agência EFE

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