| Poeta José Luís Tavares verte Camões para língua cabo-verdiana |
| 09-Mai-2007 | |
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O poeta cabo-verdiano José Luís Tavares acaba de verter, para a língua cabo-verdiana, um conjunto de 80 poemas do poeta português Luís Vaz de Camões. José Luís Tavares, que se encontrava em Cabo Verde para participar no Simpósio sobre os Cem anos da Geração Claridosa, anunciou, ainda, que tem prontos para editar, entre livros próprios e traduções, 11 livros, abrangendo as áreas de poesia, infanto-juvenil e ficção. O autor do “Paraíso Apagado por um Trovão”, premiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, em entrevista à agência Inforpress, adiantou que, do total das obras que estão à espera de um editor, se encontram a edição de um volume com traduções de poemas de Fernando Pessoa para cabo-verdiano; vários livros com textos inéditos, incluindo três para a infância e juventude em versão bilingue; um libreto para uma opereta infantil; as traduções que Tavares fez dos sonetos de Camões, “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Mello Neto, além de um romance, em relação ao qual o autor diz ter “perdido já a mão”, e quatro livros de poesia. Além disso, José Luís Tavares diz ter em mãos um projecto para um álbum sobre a Cidade Velha, “Cidade do Mais Antigo Nome”, em colaboração com o fotógrafo português”, Duarte Belo. “Já conseguimos alguns financiamentos, pelo menos para a vinda do fotógrafo a Cabo Verde”, assegura José Luís Tavares. Tavares afirmou ter recebido uma proposta das edições Spleen, para fazer uma terceira edição do “Paraíso Apagado por Um Trovão”, que se encontra esgotado, tanto em Portugal, como em Cabo Verde. “Só que eu tenho algum receio desse livro, porque este é um livro colonialista, que me mata todos os livros”, explica. No próximo ano, altura em que se assinala o 10º aniversário do ALUPEC, o Ministério da Cultura de Cabo Verde desafiou José Luís Tavares a reunir os poemas sobre rapper que o poeta tem publicado no “Liberal”, para uma edição impressa em livro. “Escrevi esses textos rappers, com o objectivo de dar a conhecer a um público alargado o funcionamento da Língua Cabo-verdiana. Como sabe, nos EUA, há o ensino da língua cabo-verdiana nas escolas secundárias de Bóston e é de lá que tenho recebido o maior feedback, em relação a esses escritos. Como são coisas muito populares, muito contundentes, as pessoas acedem facilmente”, explica José Luís Tavares. Relativamente ao Simpósio sobre os cem anos da geração claridosa, José Luís Tavares afirmou que, “mais do que fazer Simpósio”, é preciso “investir na divulgação das obras desses autores”. “Muito desses autores são conhecidos, mas mais como figuras, porque muita gente não tem acesso, por exemplo, à colecção de autores clássicos cabo-verdianos”, afirma, sublinhando a necessidade de se fazer uma difusão alargada da obra desses autores. “Não podemos pensar que Claridade foi um momento, porque houve coisas antes e depois da Claridade. Para José Luís Tavares há uma fixação excessiva na Claridade, como se não tivesse havido um ante e um depois. Segundo ele, a nova geração dos literatos do Arquipélago, que ele pertence, abriu caminhos novos na literatura cabo-verdiana que, infelizmente, a perspectiva demasiado historicista que se tem em Cabo Verde do fenómeno literário, tende a não reconhece-lo ainda na sua vertente esteticista. “Aliás, o meu livro Paraíso Apagado por um Trovão é um momento marcante na poesia cabo-verdiana do nosso tempo. Seguramente, daqui a cem anos, quando se falar da poesia cabo-verdiana penso que se pode falar de um antes e de um depois do Paraíso Apagado por um Trovão”. José Luís Tavares nasceu a 10 de Junho de 1967, em Chão Bom, concelho do Tarrafal, na ilha de Santiago. Estudou Literatura e Filosofia em Portugal, onde reside. Publicou “Paraíso Apagado por um Trovão”, em 2003 (Prémio Cesário Verde, Câmara Municipal de Oeiras, 1999; Prémio Mário António 2004, da Fundação Calouste Gulbenkian, para melhor livro de autor africano de língua portuguesa e de Timor-Leste, publicado no triénio 2001/2003; finalista Correntes d’escritas/casino da Póvoa 2005) e “Agreste Matéria Mundo”, 2004 (Prémio Jorge Barbosa, da Associação dos Escritores Cabo-verdianos. Inforpress - www.inforpress.cv Comentários (0)
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