| Portugal empenhado em valorizar Tarrafal, garante ministra da Cultura |
| 14-Set-2007 | |
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Portugal está empenhado em valorizar o antigo campo de concentração do Tarrafal e vai ajudar Cabo Verde na criação de um museu no local, garantiu, quinta-feira, a ministra portuguesa da Cultura, Isabel Pires de Lima.
Na manhã do último dia da sua visita a Cabo Verde, a ministra esteve na antiga colónia penal portuguesa, mandada construir por Oliveira Salazar, actualmente semi-abandonada, apesar de Cabo Verde ter a intenção de construir ali um museu. Depois da visita, sempre acompanhada pelo ministro da Cultura de Cabo Verde, Manuel Veiga, Isabel Pires de Lima disse à Agência Lusa que há já um apoio português para a recuperação física do espaço, através do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), e que o "seu" ministério irá contribuir mais ao nível técnico. "O Ministério da Cultura coopera com Cabo Verde em várias áreas e queremos também empenhar-nos na valorização deste património", disse a ministra, acrescentando que mostrou a Manuel Veiga a "disponibilidade a nível do conhecimento técnico" para colaborar "num projecto museológico" que "não está ainda definido" pelo executivo cabo-verdiano. Ainda assim, referiu a ministra à Lusa, Portugal poderá ter "um papel na conceptualização do projecto" e depois prestar outro tipo de apoios, com a ajuda do Instituto dos Museus de Portugal. A ministra propôs ainda enriquecer o centro de interpretação do campo, actualmente uma pequena sala com fotografias e alguns textos que explicam a evolução do campo de concentração. Portugal, disse, já enviou para Cabo Verde diverso material sobre o campo de concentração, que ainda não está exposto, mas está disponível para ajudar "na criação de um suporte de imagem", como seja um apoio em vídeo que explique o que foi o campo de concentração. Segundo Isabel Pires de Lima, outra das ajudas que o país pode prestar é a procura de antigos prisioneiros, não só de Portugal como de outros países como Angola, cujos testemunhos poderão ser juntos num futuro projecto. O governo de Cabo Verde quer fazer no país, dentro de dois anos, um grande fórum sobre campos de concentração, para o qual pretende convidar todos os "tarrafalistas". A acompanhar a visita dos dois ministros, encontrava-se um deles, Edmundo Pedro, que esteve preso no Tarrafal entre 1936 e 1946 (dos 17 aos 27 anos). Actualmente com 89 anos, deportado para ao Tarrafal por pertencer ao Partido Comunista (hoje é militante do PS), Edmundo Pedro emocionou-se ao recordar os 10 anos que ali passou e o convívio com o antigo secretário-geral do PCP Bento Gonçalves, que viria a morrer no campo. O antigo preso político defendeu também que o Tarrafal seja transformado num museu e num espaço de liberdade que possa receber todos os países de expressão portuguesa. "O Presidente da República (Pedro Pires) até sugeriu que o campo se devia transformar num local de convívio para a comunidade de países de língua portuguesa", disse Edmundo Pedro, referindo que era mesmo viável transformar um dos pavilhões do campo num auditório. O campo de concentração do Tarrafal foi inaugurado em 1936 e encerrado em 1954. Em 1962 voltou a reabrir mas só para elementos das ex-colónias e foi definitivamente encerrado após o 25 de Abril de 1974. Inforpress - www.inforpress.cv Comentários (0)
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