| Segundas gerações são alvo fácil, diz João Lopes Filho ao lançar livro |
| 29-Set-2007 | |
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As segundas gerações de cabo-verdianos em Portugal são "alvo fácil" para o pequeno crime porque as baixas qualificações que possuem impede-os de vencer numa sociedade competitiva, segundo o autor do livro "Imigrantes em terras de emigrantes".
O investigador cabo-verdiano João Lopes Filho analisa no livro, a lançar terça-feira, em Lisboa, os diversos problemas dos cabo-verdianos em Portugal, nomeadamente o insucesso escolas e as segundas gerações. Em declarações à Agência Lusa, João Lopes Filho, professor na Universidade Nova e especialista em estudos africanos, disse que a baixa formação académica ou técnico-profissional faz com que os jovens cabo-verdianos a viver em Portugal fiquem "fragilizados do ponto de vista económico". "Como não conseguem competir num mundo competitivo, tornam-se alvos fáceis do pequeno crime", como roubos e droga, salientou o docente cabo-verdiano a viver em Portugal há 30 anos. Na opinião de João Lopes Filho, o insucesso escolar destes jovens está relacionado com a língua, porque muitos só falam crioulo, e com a falta de apoio dos pais. "Enquanto os pais passam o dia no trabalho, os filhos ficam sozinhos nos bairros e entregues a si próprios. Estão habituados a viver em liberdade e quando vão para a escola são obrigados a ter regras e um determinado comportamento, o que cria uma certa dificuldade", disse. O autor referiu ainda que os pais "não têm formação, nem tempo, para acompanhar os filhos nas actividades académicas". No livro, o investigador sugere uma "maior relação entre a escola e a comunidade", devendo os professores conhecer "melhor" os alunos e a cultura cabo-verdiana. João Lopes Filho propõe igualmente aulas complementares de português. A identidade cultural das segundas gerações é outro problema que o autor menciona no livro. "Há um problema de identidade cultural" Estes jovens "não estão completamente socializados com a cultura cabo-verdiana e não estão integrados na sociedade portuguesa", o que provoca "um grande problema de identidade cultural", considerou. Segundo o investigador, as segundas gerações "não têm referências com Portugal ou Cabo Verde", identificando-se com os "negros norte-americanos ou sul-americanos". "Imigrantes em terras de emigrantes" aborda ainda o início da imigração cabo-verdiana para Portugal, que começou no período colonial, e o aparecimento dos primeiros problemas, que surgiram após a independência de Cabo Verde. "Se numa primeira fase estes imigrantes eram desejados por terem colmatado a grande escassez de mão-de-obra em Portugal, com a chegada dos chamados retornados, após a descolonização, surgiu o excesso de braços disponíveis e conduziu ao aumento das dificuldades destes imigrantes que, com a reunião das famílias, se viram obrigados a instalar-se nos bairros degradados", disse. João Lopes Filho sublinhou ainda que os ilegais cabo-verdianos também surgiram com a independência, quando deixaram de ser considerados portugueses e passaram a estrangeiros. Segundo a página da Internet da Embaixada de Cabo Verde em Lisboa, vivem em Portugal cerca de 140 mil cabo-verdianos. Portugal Diário - www.portugaldiario.iol.pt Comentários (0)
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