| Tcheka: «Nunca vou trocar Cabo Verde por nenhum país do mundo» |
| 23-Mar-2006 | |
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Quando mais velho foi para a Cidade da Praia onde se tornou cameraman para a televisão nacional, trabalho esse, que lhe alargou horizontes. Conheceu o jornalista Júlio Rodrigues e juntos começaram a tocar em bares, daí até gravar o seu primeiro álbum, foi apenas um salto. O seu objectivo é fazer do batuque um ritmo universal e apenas refere que «nunca fiz música para ir longe. Eu quero é ter espaço para tocar». Em Portugal podemo-lo ver no África Festival, na Torre de Belém, a 7 de Julho. Como começou a cantar? Comecei em casa com meu pai aos 9 anos. Ele necessitava de músicos. Inicialmente fui obrigado a aprender mas depois até fui pedir ao meu irmão mais velho para me ensinar. Quando fiz 18 fui para a Capital, a Cidade da Praia, e a partir daí comecei a ouvir novas músicas e a aprender novos sons. Cabo-Verde não é só mornas, embora elas sejam uma importante parte da nossa cultura. É conhecido pelo seu batuque. Como surge nas suas músicas esse som que antigamente era tocado pelas mulheres e proibido pela igreja? O batuque é muito característico da ilha de Santiago, era aí a maior concentração de escravos. Gostei do som e comecei a trabalhar nesse sentido. Antes só tocava morna e achei que devia tocar uma coisa diferente. Também porque fui impulsionado pelo meu amigo jornalista Júlio Rodrigues. Nunca tive numa escola para aprender, portanto foi tudo por ouvido. O seu primeiro álbum foi produzido por José da Silva, empresário de Cesária Évora. Conte-me como foi esse encontro? Estava a tocar num bar com esse meu amigo jornalista e o José da Silva viu e achou interessante, disse-me que seria bom gravar um CD. Para ser sincero eu nem sabia quem ele era só muito depois é que soube que ele era o empresário da Cesária. Nunca o levei a sério até porque só soube dele passado quatro anos desse primeiro encontro. Depois voltaram-me a propor gravar uma maqueta, mas tal como a primeira vez as coisas só se concretizaram passados dois anos. Antes disso ainda fiz duas compilações uma delas a "Ayan". Fale-me do seu primeiro álbum «Argui». Esse disco foi uma grande experiência para mim até porque gravei com uma equipa muito boa. Incuti vários sons porque a minha intenção na música é fazer coisas novas, ritmos diferentes sem perder a base cabo-verdiana. Tchabeta foi um dos ritmos que utilizei. Assim, trouxe a música dos escravos, o batuque misturado com a guitarra. Canto em crioulo e não é por acaso, tenho mesmo vontade de assegurar que o crioulo não perca a sua identidade, ele é parte da nossa raiz. Compôs duas músicas, «Tabanka Assigo» e «Ma`n Ba Dês Bês Kumida Dâ» para a Lura. Como foi essa experiência? Nunca componho para os outros, apenas faço para mim. Mas se outra pessoa gostar de cantar o que faço, não me importo. Eu não conhecia a Lura e convidaram-me para fazer duas músicas para ela cantar e eu dei-as e ficou bem. Lançou recentemente o álbum «Nu Monda»editado pela lusafrica. Fale-me um pouco desse trabalho. Este álbum volta a ser mais um estudo da minha raiz cabo-verdiana com a ajuda da minha equipa. Dei o nome «Nu Monda» que quer dizer o retirar das ervas daninhas, o retirar daquilo que não nos deixa crescer. Foi uma metáfora que utilizei propositadamente neste álbum. Juntei mais sons de Cabo Verde. Ainda há muitos para dar a conhecer e é preciso espalhá-los por outros lados. Como surgiu o prémio RFI ( Rádio France Internacional) que ganhou em 2005 no Dacar? Inicialmente não tinha ideia do que significa esse prémio. Fui seleccionado e ganhei. Fiquei contente pois fui lá demonstrar a minha terra e música. Foi um prémio do mundo o que me dá imensa alegria. Esta iniciativa dá oportunidades para os artistas. Cabo-Verde é e será sempre a sua inspiração? Nunca vou trocar Cabo-Verde por nenhum país do mundo. A minha juventude foi lá e as minhas vivências também, portanto é lá a minha casa. Já lhe chamaram o cronista de Cabo-Verde... Sim, porque acho importante falar sobre as coisas bonitas de lá. Se estivermos fora então ainda vamos dar mais valor. Em entrevista ao EXPRESSO África - http://africa.expresso.clix.pt Comentários (0)
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