| Liga dos Campeões: Liverpool-Benfica, 0-2. Portugueses eliminam campeões em título |
| 08-Mar-2006 | |
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A última página da bonita história do Benfica na Europa a ser escrita começou a desenhar-se na véspera, quando Petit se lesionou e obrigou Ronald Koeman a mudar tudo. O 4x3x3 de contenção que trazia montado de Lisboa evoluiu par um audaz 4x2x3x1, com Geovanni mais adiantado e Nuno Gomes a jogar entre Simão e Robert, descaídos sobre as faixas laterais. Um ataque extremamente móvel, com todos os jogadores a trocarem de posição, em carrossel, a tornar mais difíceis as marcações dos defesas adversários. Na defesa o quarteto brasileiro manteve-se intocável, blindado com Manuel Fernandes e Beto ligeiramente mais adiantados. Os primeiros minutos foram, como já se adivinhava, infernais para os visitantes. Embalados pelos surpreendentes cânticos de Anfield, o Liverpool carregou ao primeiro apito do árbitro sobre a área do Benfica, com Luis Garcia e Kewell bem abertos nas alas, Crouch no coração da área, Morientes, Gerrard e Alonso a exercerem uma enorme pressão na zona intermediária. O Benfica, extremamente concentrado, tremeu, mas não caiu. As pequenas falhas resultaram de imediato em claras oportunidades para o Liverpool, mas iam também servindo de «vacina» para os portugueses que, a cada pequeno erro, reforçavam os índices de confiança e tornavam mais rígidas as marcações, empurrando, aos poucos, os ingleses da sua área e aliviando a pressão. Ronald Koeman tinha previsto a entrada de rompante do Liverpool e a verdade é que os seus jogadores passaram no teste, por sinal, bem exigente. Só nos primeiros vinte minutos, Crouch rematou ao poste, Carragher às malhas laterais e Luis Garcia por cima da trave. Lusião e Anderson transpiravam confiança no coração da área, ganhando a batalha aérea a Crouch, e Moretto juntou-se-lhes, quando Gerrard, numa arrancada fenomenal, serviu o gigante de bandeja e o guardião brasileiro tirou-lhe o golo dos pés. Aos poucos, o Benfica foi-se soltando das amarras e Geovanni deu um primeiro sinal do que estava para vir, com um remate de longe à trave. Simão ainda tentou a recarga, de cabeça, mas para as mãos de Reina. Um tiro de Robert era mais um sinal da emancipação dos lisboetas que, no lance seguinte, interromperam os cânticos de Anfield, num lance bonito que envolveu quatro jogadores, com tarefas bem distintas. Geovanni começou por retribuir a pressão, não deixando que Carragher saísse a jogar; Robert ganhou a bola e soltou Simão; Nuno Gomes arrastou Traoré para a esquerda; e o número vinte, depois de tirar Carragher da frente, bateu Reina com um pontapé fenomenal, levando a bola a encaixar no ângulo superior direito. O segundo tempo começou da mesma forma do que o primeiro, com o Liverpool a carregar com tudo, agora em 4x2x4, mas com um Benfica, agora, bem mais personalizado, com um Manuel Fernandes a crescer para o seu melhor nível, a gerir muito bem a reforçada vantagem, deixando os ingleses correr, mas fechando-lhes muito bem o caminho para a baliza de Moretto. Benítez arriscava tudo fazendo entrar Cissé, Fowler e Hamann, passando a jogar num desequilibrado 3x3x4. Koeman respondeu com as entradas de Karagounis e Ricardo Rocha e refrescou o ataque, trocando Nuno Gomes por Miccoli. O Liverpool nunca se conseguiu libertar do trauma dos golos e foi o Benfica que voltou a marcar, numa boa combinação entre Simão, Beto e Miccoli, com o italiano a dar a estocada final com um espectacular remate acrobático. Os adeptos do Liverpool levantaram-se de imediato, de cachecóis esticados, a cantar o seu famoso hino, numa bonita demonstração de desportivismo que tornou ainda mais bela a vitória do Benfica. Resultados dos oitavos-de-final: Legenda: Com Ricardo Gouveia - www.maisfutebol.iol.pt Comentários (0)
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