| Luso-cabo-verdiano Oceano em discurso directo |
| 07-Out-2007 | |
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Sportinguista desde pequeno, Oceano começou a carreira no Almada, tendo passado pelo Odivelas, Nacional, Sporting, Real Sociedad (Espanha) e Toulouse (França).
Ao DN contou os seus sonhos, os seus ídolos e falou da sua experiência como jogador e agora como empresário. Ficamos, assim, a conhecer um pouco mais da vida de um dos futebolistas que ainda é uma referência no clube de Alvalade. Oceano Andrade da Cruz nasceu em São Vicente (Cabo Verde), mas aos cinco anos veio viver para Portugal. "O meu pai morava na Alemanha e por isso viemos para Portugal, para que ficássemos mais perto dele", recorda. Filho de pai portista e mãe benfiquista, Oceano sempre esteve envolvido no futebol: "O meu pai foi jogador de futebol, mas nunca cheguei a vê-lo, pois quando a minha mãe engravidou, parou de jogar." O antigo internacional português começou a carreira no Almada, com 13 anos, onde permaneceu até os 17. " No meu primeiro ano de sénior, aos 17 anos, fui para o Odivelas, onde estive apenas um ano e rumei para o Nacional", conta. Tinha contrato com a equipa da Madeira mas o seu treinador no Nacional foi para o Sporting e convidou-o para treinar uma semana nos leões: "A princípio disse que não, que tinha contrato e iria cumpri-lo. Depois conversei com a minha família e chegámos à conclusão que era uma oportunidade única." Oceano foi então para o clube de Alvalade, tendo no seu primeiro encontro um momento inesquecível: "No meu primeiro treino, numa jogada mais dura carreguei o Jordão, coloquei as mãos na cabeça e pedi desculpas." Ele disse-me: "O que é isso miúdo, o que estás a fazer?" "Estava habituado a ver aqueles jogadores pela televisão e, de repente, estou a equipar-me com eles e a treinar ao lado deles, tremi por dentro mas por fora não o demonstrava", confessa. A subida de Oceano aconteceu muito rápida. No ano em que chegou ao Sporting foi titular em todos os jogos e ao fim de um mês foi chamado à selecção nacional. "Tenho de agradecer à minha mãe, porque foi devido à educação que me deu, que consegui segurar esses golpes bons da vida", assegura. Guarda no coração vários momentos da sua carreira, mas destaca dois: "A final da Taça de Portugal foi quando vi realmente uma loucura muito grande, foi contra o Marítimo. Até eles entraram na festa." Pela selecção, o desafio inesquecível é frente à Irlanda do Norte, no Estádio da Luz: "Chovia torrencialmente e estavam lá 120 mil pessoas que nos apoiaram do início ao fim. Ganhámos por 3-1 e até os torcedores irlandeses nos aplaudiram no final do encontro." Oceano passou sete anos no Sporting e, passado este período, considerou que tinha chegado a altura de deixar os leões e experimentar os palcos espanhóis: a Real Sociedad foi o destino escolhido. Uma opção que, segundo Oceano, permitiu que as pessoas o olhassem de maneira diferente, pois foi o melhor marcador da sua equipa e fez parte, durante os anos que lá esteve, da selecção dos melhores atletas a jogarem em Espanha."Quando cheguei ao Sporting, as pessoas diziam que era um jogador cheio de força, mas só. Depois quando voltei da Real Sociedad, os adeptos já diziam que eu passava bem a bola e até marcava golos", frisa. Regressou ao Sporting onde permaneceu por mais quatro épocas, finalizando a carreira no Toulouse, de França. " Só fui para o Toulouse para demonstrar a algumas pessoas que tinha condições para jogar mais uma época", sublinha. Oceano confessa que tem um ídolo e que foi o único jogador a quem pediu um autógrafo: Eusébio. Depois dele, o antigo jogador diz ter várias referências no mundo do futebol. "Não tive o prazer de jogar contra o Eusébio, ainda bem. Porém, joguei com grandes jogadores, como o Jordão, Manuel Fernandes, Jaime Pacheco, Sousa, que ao longo da minha carreira foram muito importantes." Quanto à equipa nacional, Oceano diz que a de agora é muito mais mediática que na sua época e não é contra a naturalização de estrangeiros: "Sou contra acelerarem o processo para que os jogadores se naturalizem mais rápido, pois acredito que todos têm o mesmo direito. Contudo, não sou contra a naturalização." Para a selecção, Oceano faz um pedido: "O que eu gostava era de ver a nossa selecção a cantar o hino como a de râguebi. Sei que temos garra, pois já estive lá e sei que eles têm muita honra em vestir a camisola, mas é preciso passar essa imagem do interior para o exterior, porque há muitas pessoas a assistirem aos jogos que não conseguem perceber essa vontade." Hoje, Oceano tem um bar no Estoril: o Pó de Palco e uma empresa que organiza eventos e cuida da carreira de alguns jogadores. "Eu e o Dimas temos uma empresa que faz organização de eventos e gestão de algumas carreiras, o Dimas é agente FIFA e trata das carreiras e eu trato da organização dos eventos", conclui. Diário de Notícias - www.dn.pt Comentários (0)
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