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Atentamente,

Amílcar Tavares.

...

A ONU redescobre o multilateralismo no fim da era Bush
29-Set-2007
A Assembléia Geral da ONU pôs em evidência este ano a necessidade de um retorno à diplomacia multilateral, neutralizada pelos Estados Unidos desde os atentados de 11 de setembro de 2001. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, inaugurou na terça-feira o debate geral na Assembléia afirmando que "o mundo mudou e necessita de uma ONU mais forte porque o multilateralismo está de volta".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, defendeu moderadamente o multilateralismo. Lula pediu o aumento da participação das nações em desenvolvimento nas decisões das Nações Unidas, principalmente no Conselho de Segurança.

Desde os atentados do 11/9 os Estados Unidos colocaram em prática uma política externa sintetizada pelo presidente George W. Bush na fórmula "os que não estão conosco estão contra nós".

Entre os cerca de 100 chefes de Estado que passaram pela tribuna da ONU, muitos chamaram a atenção para esse tema, através de críticas contra a diplomacia unilateral dos americanos.

Bush não comentou o caso em seu discurso e falou apenas de democracia e direitos humanos. A ONU, disse Bush, deve criticar menos Israel e mais a Venezuela, Coréia do Norte, Teerã e Cuba.

O presidente dos Estados Unidos afirmou ainda que o regime de um "ditador cruel", Fidel Castro, está chegando ao fim e pediu que a ONU se esforçasse para promover uma transição tranqüila no país.

"O discurso de Bush foi um exemplo típico de unilateralismo", comentou à AFP o presidente do Equador, Rafael Correa. "Parece um professor dando lições aos alunos; Quem nomeou Bush o juiz do mundo?", diz.

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, em seu discurso, acusou implicitamente o governo americano de violar os direitos humanos.

"Lamentavelmente, os direitos humanos estão sendo amplamente violados por certas potências, especialmente as que fingem ser seus únicos defensores", disse Ahmadinejad, sem citar os Estados Unidos.

"Instalar prisões secretas, seqüestrar pessoas, julgar e punir em segredo sem que haja o devido processo (legal), gravar conversas telefônicas, interceptar e-mails... tudo isto se transformou em algo comum", enfatizou.

Da América Latina, voltada em sua maioria para a esquerda, as críticas foram ainda mais violentas. O presidente Evo Morales, da Bolívia, criticou Bush, "um anfitrião que acusa os convidados", e propôs mudar a sede da ONU para outro país.

Daniel Ortega, da Nicarágua, improvisou um longo discurso para denunciar a "falta de respeito total de Bush" e o imperialismo americano.

Felipe Pérez Roque, chanceler de Cuba, disse, em nome de Fidel Castro, que Bush "não tem autoridade moral nem credibilidade para julgar ninguém; e que deveria responder ao mundo por seus crimes".

Roque afirma ainda que o presidente dos Estados Unidos é "responsável pela morte de 600.000 civis no Iraque, autorizou a tortura da base naval de Guantánamo e de Abu Ghraibe é cúmplice do seqüestro e desaparecimento das pessoas".

Hugo Chávez, que em seu discurso no ano passado chamou Bush de "demônio e mentiroso", não compareceu a reunião da ONU, mas comentou de Caracas.

"Os líderes de um novo mundo começam a se levantar no horizonte", disse Chávez. Alan García (Peru) e Tabaré Vazquez (Uruguai) também não compareceram ao encontro.

A grande ausência, entretanto, foi de Felipe Calderón, do México, que cancelou em último momento sua participação na reunião.

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, por sua vez, disse que "a paz e a convivência se constrói e se preserva entendendo o verdadeiro conceito de solidariedade entre as nações, desde uma concepção humana muito mais ampla do que puramente militar ou predominantemente unilateral".

Segundo Correa, o problema na política externa dos Estados Unidos é de que os países citados por Bush "são sempre aqueles não alinhados com os americanos. Entretanto, eles possuem excelentes relações com países que possuem políticas religiosas, descriminam a mulher, decapitam seres humanos, e a esses países não são criticados porque não estão alinhados com sua política".

Enrique Iglesias, ex-chanceler do Uruguai e secretário-geral Ibero-americano, fez os mesmos pedidos que Ban-Ki Moon sobre o retorno do multilateralismo na diplomacia mundial.

"Nos últimos anos, por razões política, as situações passaram por fora da ONU", explicou. "Existe cada vez mais a convicção de que estas questões globais necessitam de um enfoque global que é proporcionado pela ONU".

AFP
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