| Ahmadinejad volta a questionar a realidade do Holocausto |
| 16-Jun-2006 | |
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O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, questionou novamente a realidade do extermínio de milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, ao exigir nesta sexta-feira em Xangai uma investigação "imparcial" sobre o genocídio cometido pelos nazistas. "Uma investigação conduzida por autoridades imparciais e independentes é necessária para os eventos históricos", declarou o presidente iraniano numa entrevista coletiva durante sua visita à China. "Se isto é verdade, então a questão não deve ser resolvida na Palestina", disse Ahmadinejad ao ser perguntado sobre seus recentes comentários sobre o Holocausto. Ele precisou que os "judeus, cristãos e muçulmanos são todos respeitáveis e têm seus próprios direitos e dignidade". "Os judeus não são o problema. O problema é um movimento político chamado sionismo, que se esconde atrás do judaísmo", continuou o presidente iraniano. Ele estava em Xangai para um encontro com seu colega chinês Hu Jintao depois de assistir, na véspera, à reunião da Organização de Cooperação de Xangai (OCS). O instituto israelense Yad Vashem, que se dedica à memória dos milhões de judeus exterminados pelos nazistas, denunciou as novas "propostas anti-semitas" do presidente iraniano. "Essas declarações repetidas são a manifestação de um anti-semitismo contemporâneo", declarou à AFP uma porta-voz, criticando a "indiferença do mundo diante destas propostas que visam a negar a realidade do Holocausto". "Elas testemunham a ligação entre o islamismo e o negacionismo", acrescentou. Contactados pela AFP, os responsáveis israelenses se recusaram a comentar a declaração, estimando que uma reação oficial israelense faria "o jogo destas provocações" e que as declarações do presidente iraniano só poderiam fazer a ele mesmo. Desde 1945, historiadores realizam pesquisas sobre o genocídio que confirmaram que o número de judeus assassinados era de cinco a seis milhões. Segundo o criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann, foram seis milhões os judeus mortos durante o conflito. Em abril, Ahmadinejad havia dito que tinha "uma séria dúvida" sobre a existência do Holocausto. "Se há sérias dúvidas sobre o holocausto (dos judeus), não há sobre a catástrofe e o holocausto que atingem os palestinos", disse então Ahmadinejad. "Algumas potências ocidentais acreditam que, durante a Segunda Guerra Mundial, uma grande população judaica foi assassinada e, para compensar esta catástrofe, eles criaram o regime (sionista)", afirmou. "Se uma catástrofe como esta é verdadeira, por que os povos dessa região devem pagar esse preço?", acrescentou. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, havia advertido o Ocidente contra a ameaça representada pelo presidente iraniano, que ele comparou a Adolf Hitler. Em vários países ocidentais, entre eles a França e a Alemanha, a negação do extermínio dos judeus é passível de processo judicial e, eventualmente, de penas de prisão. AFP Comentários (0)
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