| As fotos da execução de Saddam. As reacções no Iraque e no mundo |
| 30-Dez-2006 | |
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No que parece ser uma rápida resposta à execução por parte de insurgentes sunitas leais a Saddam, um carro-bomba explodiu em uma cidade xiita, Kufa, matando 34 pessoas - o tipo de violência sectária que tem ameçado lançar o Iraque em uma guerra civil. Em Hurriya, distrito majoritariamente xiita de Bagdá, três explosões de carros-bomba mataram pelo menos 39 pessoas e feriram outras 65, segundo informação do Ministério do Interior. Últimas palavras A televisão estatal iraquiana levou ao ar imagens de Saddam Hussein, aparentando estar calmo, trocando uma ou outra palavra com o homem mascarado que ajeitava a corda em volta de seu pescoço e o encaminhava para o cadafalso. As filhas de Saddam viram a execução pela TV. - Foi muito rápido. Ele morreu imediatamente - disse à Reuters uma das testemunhas oficiais da execução levadas pelo Estado ao local da forca. Segundo ela, o ex-presidente iraquiano, que estava constrangido mas não usou o capuz, fez uma breve oração antes de morrer. - Nós ouvimos seu pescoço quebrar - disse Sami al-Askari, um aliado do primeiro ministro Muri al-Maliki, depois do enforcamento em um edifício do Ministério da Justiça na parte norte de Bagdá.
A narrativa é do juiz Munir Haddad, que assistiu à execução. Ela é o oposto do que disse outra testemunha, o conselheiro de segurança nacional Mowaffak Al-Rubaie. Para ele, Saddam parecia abatido e demonstrava medo. Cerca de 14 pessoas assistiram ao enforcamento, nenhuma das quais americana. Uma parte delas era composta por xiitas cujos parentes foram mortos por ordem de Saddam. Segundo reportagem do "New York Times", a corda usada no enforcamento é de cânhamo, cujas fibras são macias e pouco ou nada abrasivas. Veja vídeo produzido pela BBC Brasil sobre a vida de Saddam. No YouTube, horas depois da execução, já foram postados vídeos que zombam da morte do tirano. Enquanto os companheiros shiitas de Maliki, oprimidos durante a ditadura de Saddam, que era sunita, celebravam nas ruas, o primeiro-ministro pediu aos seguidores sunitas do ex-presidente para encerrarem a insurgência. O presidente dos Estados Unidos, George Bush, afirmou que o enforcamento foi um "marco" para a democracia iraquiana. - A execução de Saddam coloca um fim a todas as apostas patéticas no retorno da ditadura - disse Maliki, que, segundo funcionários do governo, não compareceu ao enforcamento. A televisão estatal mostrou o primeiro-ministro assinando a ordem de execução.
A polícia de Kufa, perto da cidade xiita sagrada de Najaf, informou que 34 pessoas foram mortas e 58 ficaram feridas por um carro-bomba que explodiu em uma área comercial repleta de pessoas antes do período festivo do Eid al-Adha. Segundo ela, a multidão matou um homem acusado de participação no atentado. Bush, que classificou Saddam como uma ameaça mesmo sem que alegadas armas nucleares e outras nunca tenham sido encontradas, afirmou: - Fazer justiça no caso de Saddam não vai encerrar a violência no Iraque, mas é um importante marco no caminho para uma democracia que possa governar, sustentar e se defender. A morte de mais quatro soldados levou o número de militares dos EUA mortos no Iraque perto da marca de 3 mil, aumentando a pressão sobre Bush para que uma nova estratégia seja encontrada. Veja imagens de reações à execução no Iraque e em outros países. O governo britânico disse que uma dívida foi paga com a morte do ex-ditador. A Rússia lamentou a morte e se disse preocupada. O Vaticano também lamentou a execução. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, falando a repórteres em Brasília ao visitar uma exposição de fotos da sua campanha para a reeleição, condenou a ingerência externa no Iraque. A União Européia considerou a execução uma barbárie. As reações populares ao enforcamento de Saddam foram silenciosas, com o país entrando no dia mais sagrado do calendário muçulmano para iniciar uma semana de celebrações no Eid al-Adha. Ao contrário de outros dias de tensão, não foi instaurado toque de recolher em Bagdá após a execução. Xiitas jubilantes, oprimidos sob Saddam, dançaram nas ruas de Najaf e motoristas acionaram as businas dos carros em desfiles pelo bairro de Sadr City, um reduto xiita de Bagdá. O principal canal de televisão sunita fez uma cobertura limitada da execução, mas mostrou imagens antigas de Saddam ao lado do ex-secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, de um período quando os norte-americanos ajudaram o Iraque na luta contra o Irã. A televisão estatal Iraqiya, por sua vez, mostrou imagens de arquivo de agentes de Saddam degolando e torturando vítimas do regime. Um homem da cidade de Dujail, que testemunhou contra Saddam no julgamento pela morte de 148 xiitas no local, disse que lhe foi permitido se aproximar do corpo de Saddam. - Quando eu vi o corpo no caixão eu chorei. Eu me lembrei dos meus três irmãos e do meu pai que foram mortos por ele. Eu me aproximei do corpo e disse pra ele: 'essa é uma punição merecida para qualquer tirano - afirmou Jawad al-Zubaidi. - Agora, pela primeira vez, meus três irmãos e meu pai estão contentes. A rápida execução foi um triunfo para Maliki, cujo comando do frágil governo de coalizão tem sido questionado. Mas a velocidade do processo pode render críticas. Muitos curdos, por exemplo, ficaram desapontados por Saddam não ter enfrentado julgamento também por crimes praticados contra eles. Novas execuções devem ocorrer em uma semana. O meio-irmão de Saddam, Barzan al-Tikriti, e um ex-juiz, Awad al-Bander, deverão ser enforcados após o período do Eid. A filha de Saddam, Raghd, exilada na Jordânia, quer que o pai seja enterrado no Iêmen, disse uma fonte próxima da família. O governante da cidade natal de Saddam, Tikrit, onde há um clima de revolta , disse que o povoado local estava negociando com o governo para ter o corpo do ex-ditador, que seria sepultado em Awja, onde os filhos de Saddam foram enterrados em 2003. Mas o governo pretende enterrar o ex-presidente em Badgá. O Globo - http://oglobo.globo.com Comentários (0)
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