| Dia Mundial da Alimentação: FAO pede compromisso para combater fome no mundo |
| 16-Out-2007 | |
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A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) exigiu hoje, no Dia Mundial da Alimentação, um compromisso mundial para erradicar a "praga" da fome, que faz com que "854 milhões de pessoas se deitem de estômago vazio", afirmou em Roma o diretor-geral da entidade, Jacques Diouf.
"O direito a uma alimentação adequada" foi o tema deste ano do Dia Mundial da Alimentação, que é celebrado em 150 países com o objetivo de conscientizar para a escassez geral de alimentos no mundo. Na cerimônia oficial de inauguração do dia, Diouf ressaltou que o acesso aos alimentos tem que ser garantido por direito fundamental, mas "não no sentido de receber alimentos gratuitamente", como forma de caridade. O diretor da FAO disse que promover o direito à alimentação é uma "contribuição essencial" para passar da "inaceitável realidade" da crise de fome à "esperança de conseguir que o mundo se livre desta praga". Diouf também se dirigiu aos países em desenvolvimento, que podem promover este direito com a eliminação de obstáculos, que devem ser superados pelas pessoas e pelos grupos "mais vulneráveis". Ele disse que o compromisso dos países para considerar o direito à alimentação, "apesar de seu pequeno progresso, começa a dar frutos, o que era impensável há uma década". Como exemplo, Diouf citou o caso do Brasil, onde o direito à alimentação "está fortemente arraigado e instituído" e que, como conseqüência disto, "a fome diminuiu". O diretor-geral lembrou ainda da existência de diretrizes e programas de luta contra a fome e a pobreza, que são um "instrumento adicional" para erradicar estes problemas e para "acelerar a conquista dos Objetivos do Milênio" da ONU. Estiveram presentes ao ato, realizado na sala plenária da FAO em Roma, os ministros de Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, da Nicarágua, Samuel Santos López, e do Paraguai, Rubén Ramírez. O presidente da Alemanha, Horst Köhler, e o da Tanzânia, Jakaya Kikwete, discursaram no evento. Köhler enfatizou a necessidade de uma "política de desenvolvimento para todo o planeta", que pode ser um "grande desafio" se, como se calcula, a população mundial aumentar dos atuais 6 bilhões para 9 bilhões em 2050. Em sua opinião, o objetivo principal desta política de desenvolvimento deve ser assegurar que a população chegue à auto-suficiência. O chefe de Estado alemão acrescentou que "a fome não é um destino sem escapatória e pode ser eliminada com as políticas adequadas", pois os grandes problemas do mundo globalizado "só podem ser resolvidos mediante trabalho conjunto" das nações. Kikwete lembrou que, "a cada dia, quase 40 mil crianças morrem por desnutrição ou doenças relacionadas" a este problema. Para o presidente tanzaniano, estes dados "nada reconfortantes refletem tanto a enormidade como a gravidade" do problema da fome, cuja solução passa, no caso da África, por uma "reorganização da agricultura" no continente. O Papa Bento XVI enviou uma mensagem, que foi lida pelo arcebispo Renato Volante, observador permanente da Santa Sé na FAO, na qual pede que a sociedade mundial coopere para facilitar o direito à alimentação, já que seu descumprimento "é uma violação evidente da dignidade humana". O Pontífice pediu ainda que haja uma "consciência solidária que considere a alimentação como um direito universal de todos os seres humanos, sem distinções ou discriminações". A Itália foi representada pelo ministro da Agricultura, Paolo de Castro, que disse que a estratégia para obter a universalidade do direito à alimentação é "muito clara". Para ele, os planos, programas e recursos "já existem, agora só é preciso agir". Patrocinado pela FAO, o Dia Mundial da Alimentação é celebrado todo dia 16 de outubro, há 27 anos, em 150 países, onde são organizados eventos para denunciar a situação de crise de fome no mundo e para permitir que todas as pessoas tenham acesso à alimentação. EFE Comentários (0)
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