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EUA cedem e Conferência da ONU sobre Mudança Climática alcança acordo final
17-Dez-2007

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática chegou sexta-feira a um acordo final, após os Estados Unidos cederem no último instante, o que permite o início das negociações no próximo ano de um pacto mais ambicioso do que o Protocolo de Kioto.

O ponto decisivo dos doze dias de reuniões aconteceu sexta-feira, quando a subsecretária de Estado americana para Democracia e Assuntos Globais, Paula Dobriansky, disse que seu país se juntaria "ao consenso".

Após uma tensa e longa negociação, que fez com que o fim da reunião fosse adiado em um dia, uma grande ovação de todos os delegados presentes comemorou a martelada conclusiva - para dar fé do compromisso - do presidente da reunião, o ministro do Meio Ambiente indonésio, Rachmat Witoelar.

A posição da delegação americana, com Dobriansky à frente, manteve em suspenso o resultado da conferência até o último momento, devido à firme recusa dos Estados Unidos de assumir compromissos pontuais.

No entanto, e diante da pressão da sala, Dobriansky decidiu por fim desbloquear os debates e permitiu o acordo reivindicado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que saiu do Timor-Leste e voltou sexta-feira a Bali para tentar salvar o pacto.

Ban pediu que os delegados conseguissem um consenso "pelo bem da humanidade", uma iniciativa que teve o apoio do presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, que apelou ao senso de responsabilidade dos presentes para superar as diferenças.

Os EUA aceitaram no final que o texto determinasse de forma expressa que os países industrializados transferirão tecnologia às nações emergentes para ajudá-las no combate ao aquecimento global, como exigia o G77 - grupo formado por 130 países, incluindo o Brasil.

Em troca, este grupo se compromete a implementar medidas para diminuir seus níveis de dióxido de carbono de forma que sejam controláveis e verificáveis.

O documento alcançado também inclui uma referência, mas indireta e não obrigatória, à necessidade de que os países industrializados reduzam suas emissões de gases poluentes em 25% a 40%, a respeito dos níveis de 1990, até 2020.

A União Européia (UE) e outros países tentaram conseguir que a medida fosse vinculativa, mas, no final, ficou como uma nota de rodapé atribuída aos especialistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU.

A UE manteve durante duas semanas uma firme posição para que o acordo contivesse de forma clara que as nações industrializadas se comprometeriam a reduzir suas emissões de dióxido de carbono, e sempre defendeu que o texto incorporasse este ponto.

Estados Unidos, Canadá e Japão foram contra esses compromissos por considerá-los prescindíveis e porque poderiam condicionar as futuras conversas.

O "mapa do caminho" de Bali, chamado assim porque guiará as negociações que começarão no próximo ano e que terminarão em 2009, em Copenhague, também contempla a transferência de tecnologia "verde" às nações emergentes.

Além disse, prevê ajudas para minimizar os efeitos da mudança climática e "recompensas" pela proteção e conservação de florestas, considerando que o desmatamento é responsável por cerca de 20% dos gases causadores do efeito estufa.

Os representantes de 190 países, todos membros da Convenção Marco da ONU sobre Mudança Climática, conseguiram em Bali um acordo histórico porque, à parte dos compromissos citados, reintegra os EUA à corrente geral contra o aquecimento global e consegue que, pela primeira vez, China e Índia aceitem que têm que controlar suas emissões.

No entanto, o "mapa do caminho" de Bali, como o próprio nome indica, é só o começo de uma viagem cuja etapa seguinte começará em 2008.

EFE

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