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Hamas condiciona paz com Israel ao fim da ocupação dos territórios palestinianos
03-Mar-2006

O líder político do Hamas, que se encontra em visita a Moscovo, reafirmou hoje que Israel deve abandonar os territórios palestinianos e aceitar o regresso dos refugiados se quiser paz na região.

“Não poderá haver paz se a ocupação continuar”, afirmou Khaled Mashaal, em conferência de imprensa, no final de um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

“Esta é a nossa mensagem ao mundo e espero que a comunidade internacional a entenda”, afirmou o dirigente do movimento integrista, numa referência às condições que a Europa estabeleceu para negociar com o Hamas.

Mashaal recordou que “Arafat e Mahmoud Abbas reconheceram Israel, mas isso mudou nada”. “Yasser Arafat e Israel negociaram durante mais de dez anos. O resultado foi que Israel matou Arafat”, afirmou, retomando a tese de que o líder histórico palestiniano terá sido envenenado pelos serviços secretos israelitas.

Contudo, sublinhou, o Hamas “dará um passo importante em direcção à paz” se “Israel anunciar oficialmente a retirada dos territórios tomados em 1967, permitir o regresso dos refugiados, destruir o muro de separação e libertar todos os prisioneiros”.

Apesar destas condições – que ficam para lá do que o Governo israelita diz estar disposto a aceitar –, o Hamas demonstra uma inflexão no discurso desde a vitória nas legislativas palestinianas, dando sinais de que poderá aceitar a existência do Estado de Israel segundo as fronteiras definidas em 1948.

Questionado sobre a possibilidade do Hamas, convidado já pelo líder da Autoridade Palestiniana a formar Governo, negociar uma trégua, Mashaal afirmou que “a bola está no campo israelita”.

Contudo, garante que o Hamas “não está particularmente interessado num cessar-fogo que não é cumprido" pela parte israelita. “Após as eleições, que foram livres e democráticas, Israel respondeu com acções que aumentaram a tensão e com o assassinato de personalidades palestinianos. Nós condenamos estes assassinatos e a nossa posição é a de que devemos defender-nos”, sublinhou.

Por seu lado, o chefe da diplomacia russa insistiu que o Hamas deve “reconhecer o direito à existência de Israel” e “recusar a violência como forma de resolução das questões políticas”.

Lavrov, o primeiro dirigente do quarteto para o Médio Oriente (ONU, UE, EUA e Rússia) a aceitar receber uma delegação do Hamas, sublinhou que os integristas devem também respeitar “todos os acordos” firmados pela Autoridade Palestiniana, o que equivaleria a aceitar o fim da luta armada.

Público - www.publico.pt

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