| Iraque tem o dia mais sangrento em meses com cerca de 120 mortos |
| 06-Jan-2006 | |
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O Iraque viveu hoje o dia mais violento dos últimos meses, com a morte de aproximadamente 120 pessoas em diferentes regiões do país, enquanto os líderes políticos se esforçam para formar um Governo de união nacional.
O primeiro-ministro em fim de mandato, Ibrahim al-Jaafari, disse hoje em entrevista coletiva em Bagdá que espera que "dentro de três meses" seja formado um Governo com a participação de xiitas, curdos e sunitas. Segundo fontes iraquianas, representantes dos xiitas religiosos e dos curdos, que saíram vitoriosos das eleições de 15 de dezembro, continuam suas negociações com os sunitas e os xiitas laicos visando à formação do Governo. Os xiitas religiosos, liderados pela Assembléia Suprema da Revolução Islâmica (ASRI), de Abdel Aziz al-Hakim, querem seja criada uma entidade federal para sua comunidade no sul e no centro do país. Os sunitas, porém, rejeitam essa possibilidade. O presidente do Iraque em fim de mandato, Jalal Talabani, condenou os ataques perpetrados hoje em Ramadi, ao oeste de Bagdá, e na cidade santa xiita de Karbala, no sul do país, e alertou que os atentados "estão dirigidos contra a união do país". Talabani pediu que os diferentes grupos políticos e religiosos do Iraque se unam para "não permitir que os terroristas sabotem o processo político". Segundo a TV iraquiana, que citou fontes policiais e médicas, os atentados suicidas em Karbala e Ramadi (esta última cidade um reduto insurgente), mataram pelo menos 109 pessoas e deixaram outras 250 feridas. O primeiro massacre foi perpetrado por um adolescente que se misturou com uma multidão de peregrinos, iraquianos e estrangeiros, que visitam atualmente os santuários de Karbala, a segunda cidade mais importante do xiismo. Ele matou 49 pessoas e feriu mais de 180. A Polícia disse à EFE que o jovem levava cerca de oito quilos de TNT junto ao corpo, junto com metralha e bombas. Na hora do ataque, cometido às 10h15 (5h15 de Brasília), centenas de homens, mulheres e crianças, provenientes das províncias do sul do Iraque, mas também de Irã, Paquistão e Índia, passeavam entre as douradas cúpula das mesquitas dos imames Abbas e Hussein, em pleno centro de Karbala. Algumas das vítimas são estrangeiros que visitavam a cidade por ocasião da Festividade do Sacrifício, que será celebrada na próxima semana. Quase na mesma hora do atentado em Karbala, mas cerca de 150 quilômetros ao noroeste da cidade, em Ramadi, outros dois atacantes suicidas dirigindo diferentes veículos carregados com explosivos perpetraram um massacre em um quartel. Os suicidas mataram 70 pessoas e deixaram outras 70 feridas ao fazer os carros explodirem junto a uma fila de recrutas que esperavam para fazer um exame para entrar para as novas Forças de Segurança iraquianas. A maioria das vítimas era de jovens xiitas que procuravam um trabalho para sobreviver na destruída sociedade iraquiana. Pouco depois, outros três carros-bomba mataram três pessoas, entre elas um policial, no centro e no leste de Bagdá. Paralelamente, fontes militares americanas e policiais iraquianas informaram sobre a morte de sete soldados dos Estados Unidos em atentados com bombas em Bagdá e na cidade de Najaf, no sul do país. Agência EFE
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