Israel lança ofensiva militar em Gaza na véspera de negociações, seis palestinianos mortos
11-Dez-2007
Tanques e bulldozers israelitas com apoio aéreo entraram hoje no sul da Faixa de Gaza, matando cinco militantes de grupos palestinianos, na maior operação no território desde que o movimento islamita Hamas o passou a controlar em Junho.
No norte da Faixa de Gaza, um outro palestiniano foi morto pela aviação israelita.
A ofensiva ocorre na véspera das primeiras negociações formais de paz entre Israel e os palestinianos desde o início de 2001, na sequência do acordado na conferência de Annapolis (Estados Unidos) no final de Novembro.
O Exército israelita classificou a acção como uma operação de rotina "contra as infra-estruturas do terror" em Gaza.
A Jihad Islâmica indicou que três dos seus militantes foram mortos por disparos de tanques e o Comité de Resistência Popular disse que um elemento do grupo morreu num ataque aéreo.
Um combatente do Hamas, gravemente ferido, sucumbiu no hospital, registando-se ainda um total de 13 palestinianos feridos, dos quais pelo menos sete militantes de grupos anti-Israel.
Um outro activista da Jihad Islâmica foi morto num ataque aéreo no norte da Faixa de Gaza.
A incursão israelita, numa distância de dois quilómetros e na qual participam cerca de três dezenas de tanques, decorre nos sectores de Rafah e Khan Yunes.
As forças israelitas também cortaram a circulação na principal estrada que liga o norte e o sul do território e registaram-se confrontos entre militantes palestinianos e soldados, segundo testemunhas.
De acordo com as mesmas fontes, o Exército israelita realizou buscas a casas e dezenas de presumíveis activistas foram interpelados.
Reagindo à operação israelita, o Hamas apelou aos negociadores palestinianos para boicotarem as negociações com Israel.
"Face a este crime atroz, o governo apela aos negociadores palestinianos para não participarem amanhã (quarta-feira) no encontro com os agressores e a suspenderem qualquer contacto com eles. Seria vergonhoso apertar as mãos cheias de sangue", declarou um porta-voz do Hamas, Taher al-Nunu.
Denunciando também um "crime odioso", Nabul Abu Rudeina, porta-voz do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, afirmou que a incursão "reforça as dúvidas sobre a vontade de Israel de garantir o sucesso das negociações que começam amanhã".
"A política israelita de escalada em todas as frentes visa sabotar as negociações e colocar obstáculos mesmo ainda antes do seu início", adiantou.
Abu Rodeina apelou para a "comunidade internacional, nomeadamente os Estados Unidos, intervir imediatamente para fazer parar a política israelita de agressão e de colonização e salvar o processo de paz e as negociações antes que seja demasiado tarde".
Agência Lusa - www.lusa.pt
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