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Junta Militar de Mianmar designa enviado oficial para negociar com Suu Kyi
08-Out-2007
A Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) anunciou hoje o estabelecimento de um canal oficial com a líder da oposição, Aung San Suu Kyi, enquanto busca retomar os laços com o clero budista, responsável pelas mobilizações populares reprimidas a tiros pelo regime. O anúncio da designação do vice-ministro de Trabalho, Aung Kyi, foi feito pela televisão estatal, quatro dias após o chefe da Junta Militar, general Than Shwe, ter dito que estava disposto a se reunir com Suu Kyi se a opositora abandonasse sua atitude de "confronto".

Durante sua recente visita oficial a Mianmar, o enviado especial das Nações Unidas para o país, Ibrahim Gambari, pediu ao regime liderado pelo general que criasse um canal oficial para os contatos entre o organismo multinacional e a Junta Militar. Ele solicitou ainda que fosse criado um mecanismo de contato entre o regime e Suu Kyi, líder da Liga Nacional para a Democracia (LND) e Prêmio Nobel da Paz.

O general Aung Kyi, no posto desde o golpe de Than Shwe, no final de 2004, esteve à frente das negociações mantidas com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) com o objetivo de discutir o uso de mão-de-obra escrava em Mianmar. Neste mesmo anúncio não há a indicação de que o general ou outro membro da Junta Militar se reunirá com Suu Kyi, em prisão domiciliar desde junho de 2003. Ela passou 12 dos últimos 19 anos reclusa.

Apesar da declaração, Estados Unidos, Reino Unido e França, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, preparam um documento para condenar a violência empregada pelo regime para reprimir as manifestações pacíficas em favor da democracia e da liberdade.

Por meio de um comentário publicado hoje pelo jornal oficial "Nova Luz de Mianmar", a Junta Militar advertiu que não cederá às reivindicações feitas pelos manifestantes, incluindo a libertação de Suu Kyi.

"Essas três reivindicações - reduzir os preços dos produtos básicos, a libertação de Aung San Suu Kyi e dos presos políticos, e a reconciliação nacional - não serão atendidas mediante protestos", ressaltou o Governo militar.

O anúncio se uniu às tentativas da Junta Militar de restabelecer contato com os monges budistas, acusados antes de esconder armas nos mosteiros.

Em um país como Mianmar, onde os generais governam por meio do uso da força e das armas e os monges detêm a autoridade moral, é crucial para o regime militar ter a seu lado os religiosos, ou pelo menos sua hierarquia.

Após várias semanas de tensão entre as duas instituições, uma com cerca de 400 mil monges e a outra com quase o mesmo número de soldados, a Junta Militar faz gestos para se reconciliar com o clero.

Com suas manifestações, os monges encorajaram centenas de milhares de birmaneses a se manifestarem pacificamente para pedir liberdade e democracia.

Em uma aparente tentativa de readquirir a legitimidade que o apoio do clero budista lhe dava, os militares birmaneses desenvolvem agora a mesma estratégia utilizada após o massacre de 3 mil ativistas democratas entre agosto e setembro de 1988.

O "Nova Luz de Mianmar" anunciou na capa da edição de hoje que a Junta Militar doou US$ 8 mil, além de alimentos e remédios, a cerca de 50 mosteiros do norte de Yangun, palco das brutais ações realizadas pelas forças de segurança contra monges e civis.

As doações foram entregues pelo chefe militar de Yangun, general Myint Swe, durante atos oficiais que contaram com a participação de abades dos mosteiros e membros da máxima autoridade budista (Sangha), que as aceitaram em qualidade de oferenda feita por comandantes do Exército, soldados e suas famílias, segundo o órgão de propaganda do regime.

"O Sangha tem muito poder, por isso é importante para o regime contar com seu apoio", disse à agência Efe o político birmanês Naing Oo, exilado na Tailândia.

O jornal usado pela Junta Militar para divulgar suas mensagens à comunidade internacional afirmou que os detidos por sua relação com as manifestações são considerados delinqüentes, e, se forem declarados culpados, serão presos.

As autoridades militares sustentam ter colocado em liberdade cerca de 1.600 pessoas das cerca de 2.700 presas, entre elas 573 monges, que foram detidos durante os protestos de 26 e 27 de setembro, e nos dias posteriores.

Segundo a versão oficial, dez pessoas morreram baleadas ou depois de serem espancadas, mas fontes dos grupos antigovernamentais estimam que o número de mortos com a repressão supere os 200.

EFE
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