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Amílcar Tavares.

...

Justiça dos EUA manda deportar acusado de nazismo
29-Dez-2005
A Justiça dos EUA determinou na quarta-feira que John Demjanjuk, condenado erroneamente no passado como sendo o guarda sádico de um campo de concentração nazista chamado de "Ivã, o Terrível", seja deportado para a Ucrânia, seu país natal, devido a seu envolvimento com o nazismo.
O juiz Michael Creppy, do setor de imigração, decidiu que Demjanjuk não deve ser tratado injustamente na Ucrânia e que por isso pode ser deportado para o país.


Esse veredicto aparece três anos depois de a Justiça ter determinado que o acusado era um colaborador "voluntário" dos nazistas, tendo "se envolvido com a exploração e o extermínio" dos judeus na Polônia ocupada pelos alemães.

Demjanjuk, um operário de montadora de veículos aposentado que tenta manter sua cidadania norte-americana há 30 anos, pode apelar da decisão de deportação dentro de 30 dias.


Ele argumenta que pode ser processado ou torturado se for enviado de volta à Ucrânia -- ou para a Alemanha ou para a Polônia caso a Ucrânia recuse-se a aceitá-lo. Os advogados do acusado não puderam ser encontrados para se manifestar sobre a decisão.


"Depois de 30 anos, parece que algum grau de justiça foi finalmente atingido", afirmou Elan Steinberg, diretor-executivo emérito do Congresso Mundial Judaico.


"E eu digo 'algum grau de justiça' porque, afinal de contas, estamos falando de alguém condenado como sendo um perseguidor nazista", acrescentou Steinberg.


Demjanjuk perdeu a cidadania norte-americana pela primeira em 1981 e foi extraditado para Israel, onde acabou condenado à morte em 1988 depois de sobreviventes do Holocausto terem identificado o réu como sendo o conhecido guarda "Ivã", do campo de concentração de Treblinka, onde foram mortas 870 mil pessoas.


A Suprema Corte de Israel anulou a sentença de morte dele em 1993 e libertou-o depois de arquivos da União Soviética antes desconhecidos terem mostrado que um outro homem, Ivan Marchenko, era provavelmente o guarda sádico de Treblinka.


Em 1998, os EUA devolveram a Demjanjuk a cidadania norte-americana, mas o Departamento de Justiça retomou o caso contra ele, argumentando que o acusado havia trabalhado para os nazistas em três campos de concentração.

Demjanjuk perdeu a cidadania novamente depois de o Judiciário ter acatado, em 2002, os argumentos do Departamento de Justiça norte-americano.


O homem, que dizia ter sido alistado no Exército soviético e ter se transformado em prisioneiro de guerra, foi condenado por mentir para conseguir entrar nos EUA.


O caso então chegou às mãos de um juiz do setor de imigração para que Demjanjuk fosse deportado.


Agência Reuters
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