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Museu veta Nobel que disse que negros são menos inteligentes
18-Out-2007
A comunicação de James Watson no Museu de Ciência, em Londres, apesar de esgotada, foi cancelada por os seus responsáveis terem considerado que os comentários do cientista e Prémio Nobel relativos à “inferior inteligência de negros” comparativamente aos brancos foram “longe de mais”. O autor tem marcadas mais seis sessões de apresentação do seu mais recente livro “Avoid Boring People: Lessons from a Life in Science”, no Reino Unido.

Na entrevista promocional que deu ao jornal “Sunday Times”, Watson declarou estar “inerentemente pessimista quanto às perspectivas para África”. Esta disposição explica-se porque “todas as nossas políticas sociais baseiam-se no facto de que a inteligência deles é a mesma que a nossa, enquanto que a prática revela que não é assim”.

James Watson, de 79 anos e que dirige um importante laboratório de investigação científico em Nova Iorque - o Cold Spring Harbor, afirmou ainda que, apesar de ter esperança na igualdade de todos os seres humanos, “as pessoas que têm de lidar com empregados negros não acreditam nisto”.

Entre as declarações polémicas estão as alusões ao sistema de quotas vigente nos Estados Unidos. “Há muitas pessoas de cor muito talentosas, mas não devem ser promovidas quando não tiverem sucesso nos nóveis mais baixos”. O cientista sustenta que as diferenças genéticas relativas à inteligência do ser humano podem ser melhor conhecidas dentro de uma década. “Não há uma razão firme para dizer que as capacidades intelectuais de pessoas geograficamente separadas tenham evoluído da mesma maneira. Não basta o desejo de que as capacidades de raciocínio sejam uma herança universal da humanidade”, disse ainda James Watson.

Estas declarações produziram uma avalanche de críticas nas páginas online de vários jornais internacionais. Mesmo dentro da comunidade académica, as críticas não se fizeram esperar. “Isto é Watson na sua faceta mais escandalosa. Já disse coisas semelhantes sobre as mulheres, mas nunca o tinha visto entrar neste terreno racista”, comentou Steve Rose, professor de Ciências Biológicas na Universidade Aberta.
“Se conhecesse a literatura sobre o tema, saberia que não percebe do que fala, a nível científico, social e político”, acrescentou.

Já o presidente do Comité do Parlamento britânico para os Assuntos Internos declarou que “é triste ver um cientista deste calibre fazer comentários tão infundados, não científicos e extremamente ofensivos”. Keith Vaz acrescentou: “tenho a certeza que a comunidade científica rejeitará rotundamente o que parecem ser os preconceitos pessoais do Dr.Watson”.

O secretário de Estado britânico da Educação classificou de “profundamente chocantes” as declarações de Watson. Contudo, Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud, da qual Watson é director científico, “não comenta” as afirmações do cientista.

A tendência para a polémica da parte do cientista é bem conhecida. Já chegou a estabelecer conexões entre a cor da pele e o impulso sexual, dizendo que os negros têm uma líbido mais forte. Outra das suas propostas foi a da possibilidade de aborto para as mulheres caso existissem testes que determinassem a homossexualidade dos bebés. As suas afirmações sobre construção genética da beleza foram, no passado, igualmente tema de controvérsia. “As pessoas dizem que seria terrível se fizéssemos todas as raparigas bonitas. Eu penso que seria óptimo”.

Em 1962, James Watson recebeu o Prémio Nobel da Medicina em conjunto com Francis Crick e Maurice Wilkins, pela investigação desenvolvida sobre o ADN.

Raquel Ramalho Lopes, RTP
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