| Nobel da Literatura distingue escritora preocupada com o Mundo |
| 11-Out-2007 | |
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A escritora britânica Doris Lessing, vencedora do Prémio Nobel da Literatura de 2007, vê recompensada aos 87 anos uma obra vasta e variada marcada por África e pela causa feminista.
Doris Lessing tem mais de uma dezena de títulos publicados em Portugal, alguns deles já esgotados e dispersos por várias editoras. O Comité Nobel distinguiu "a narradora épica da experiência feminina, que com cepticismo, ardor e força visionária perscruta uma civilização dividida", segundo um comunicado da Academia Sueca. Desde da criação do prémio, em 1901, Doris Lessing é apenas a décima primeira mulher que o obtém, sendo a Academia por vezes criticada pelo desequilíbrio que existe entre homens e mulheres laureados. Para a escritora Maria Teresa Horta, a decisão da Academia Sueca "foi uma excelente escolha". "Temia que se cumprisse o destino de outras notáveis mulheres como Virginia Wolf e Marguerite Yourcenar que morreram sem receber o Nobel, mas felizmente assim não acontece", afirmou. Segundo Lídia Jorge, Doris Lessing foi capaz de afrontar os hábitos do seu tempo e assume integralmente a sua condição como mulher". Nascida Doris May Taylor a 22 de Outubro de 1919 em Kermanshah, na Pérsia (actual Irão), filha de pais britânicos, cresceu na Rodésia (actual Zimbabué), onde a família se instalou numa quinta quando tinha cinco anos, tendo este período marcado algumas das suas obras. Foi impiedosa nas críticas aos governos racistas da África do Sul e da Rodésia, o que lhe valeu a proibição de entrada nesses países (na África do Sul entre 1956 e 1995). Mais recentemente, criticou o regime do presidente Robert Mugabe e foi de novo declarada indesejável no Zimbabué. Para o escritor moçambicano Mia Couto, "o reconhecimento da escritora britânica como a maior de 2007 vai até certa forma para África, porque Doris Lessing já escreveu sobre a realidade do Zimbabué". José Saramago, que a conheceu em Londres, considerou a atribuição do prémio "mais do que merecida", nove anos depois de ter sido ele próprio o distinguido. "É uma pessoa preocupada com o mundo e com ideias claras", sublinhou Saramago que descreveu a romancista britânica como "uma pessoa muito aberta, sem nenhuma pose ou vaidade". Amigo pessoal da romancista desde os anos 60, o poeta Helder Macedo disse à Lusa que se trata de "uma autora afável, generosa e que não pára de escrever". "Foi pioneira na criação de uma consciência feminista na literatura, tem uma atitude de observação do mundo interior e do mundo real que faz dela uma das grandes escritoras da literatura inglesa", sublinhou Helder Macedo. As suas obras mais recentes publicadas em língua portuguesa datam dos anos noventa, entre os quais "Amar de novo" (1997) e os dois volumes de "Os diários de Jane Somers" (1990), com a chancela das Edições Europa-América. Por esta mesma editora, Doris Lessing tem ainda publicados "A Boa Terrorista" (1989), "O quinto filho" 1989), "A erva canta" (1990), assim como várias obras de ficção científica como "Experiências Sirianas" (1985), "Shikasta" (1985) ou "A formação do representante do planeta 8" (1985). Pela Livros do Brasil, sairam "A Revoltada", "O Verão antes das Trevas" (1988), "Um casamento apropriado" (1983) e "Um murmúrio da tempestade" (1985). A obra "Gatos e mais Gatos" (1995) saiu pela Cotovia, enquanto que "Caderno Dourado" (1962) foi editado pelo Círculo de Leitores. Agência Lusa - www.lusa.pt Comentários (0)
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