| Paquistão: Bhutto, em prisão domiciliar, pede deposição de Musharraf |
| 13-Nov-2007 | |
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A ex-primeira ministra Benazir Bhutto, que esta semana transformou-se na principal líder da oposição, exigiu nesta terça-feira, pela primeira vez claramente, a deposição do presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, que decretou sua prisão domiciliar pela segunda vez em cinco dias.
Bhutto aproveitou a jornada para multiplicar contatos telefônicos voltada para unificar a dividida oposição paquistanesa e convocar a comunidade internacional a abandonar Musharraf, que se nega a levantar o estado de exceção que impôs há dez dias ao país, apesar de ter anunciado eleições legislativas para antes de 9 de janeiro. "Musharraf deve ir embora. Acabou o período de ditadura", declarou Bhutto por telefone a vários meios de comunicação, entre eles a AFP. A ex-primeira ministra falava da residência de um funcionãrio do seu partido em Lahore (leste), onde está confinada, e que foi cercada pela polícia durante a madrugada. À noite, as autoridades entregaram a Bhutto uma ordem de prisão domiciliar de sete dias, para que fosse impedida de organizar e participar da "longa marcha" que iria liderar, de Lahore a Islamabad, em protesto contra o estado de exceção. A polícia alegou motivos de segurança, assegurando que a ex-primera ministra é objeto de ameaças de atentado "precisas e graves". Bhutto foi alvo, em 18 de outubro, do atentado mais sangrento da história do Paquistão, no qual morreram 139 pessoas durante uma manifestação convocada en Karachi, por ter regressado ao país após oito anos de exílio. "Esta casa é considerada a partir de agora uma prisão", anunciou à AFP o chefe da polícia de Lahore, Ayaz Salim, em referência à residência de Bhutto, isolada literalmente por mais de 1.100 policiais. Os seguidores do Partido do Povo Paquistanês (PPP) de Bhutto reuniram-se em uma estrada de Lahore, de onde dezenas de automóveis realizaram uma procissão em direção à cidade de Kasur, no leste, perto da fronteira com a Índia, afirmou à AFP o presidente do PPP na província de Pendjab, Shah Mahmud Qureshi. As autoridades já haviam impedido na sexta-feira um motim do PPP nos arredores de Islamabad e colocaram Bhutto em prisão domiciliar por um dia. A ex-chefe de Governo (1988-1990 e 1993-1996) tranformou-se em um dos líderes efetivos da oposição na segunda-feira, após anunciar a ruptura definitiva das negociações iniciadas há vários meses com Musharraf para que o poder fosse compartilhado após as eleições legislativas. Bhutto também ameaçou boicotar as eleições, com seu partido, o mais importante da oposição. A líder do PPP telefonou a inúmeros dirigentes da oposição pedindo-lhes apoio "para restaurar a democracia" - entre eles um conselheiro do seu ex-adversário dos anos 90, o ex-primeiro ministro no exílio, Nawaz Sharif, e a estrela do cricket e líder de um pequeno partido opositor, Imran Khan, atualmente com paradeiro desconhecido após ter escapado de um mandato de prisão semana pasada. Bhutto também telefonou a Qazi Hussain Ahmad, um dos líderes da coalizão da oposição no Parlamento, o Muttahida Majlis-e-Amal (MMA), que reúne seis partidos muçulmanos, entre eles alguns fundamentalistas ligados aos talibãs. Nesta terça, o presidente americano George W. Bush, aliado de Musharraf na "guerra contra o terrorismo" e seu principal financiador, também pediu o levantamento do estado de exceção para que as eleições sejam "livres e justas". Musharraf tentou acalmar os temores dos americanos declarando em uma entrevista à rádio local que as armas nucleares do Paquistão estão sob "total controle". Por sua vez, o número dois do departamento de Estado, John Negroponte, viajará ao Paquistão ao final da semana, anunciou um porta-voz da chancelaria americana, Tom Casey. AFP Comentários (0)
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