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Amílcar Tavares.

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Profundas divergências adiam acordo final de Bali
14-Dez-2007

As profundas divergências mantidas por Estados Unidos e União Européia levaram ao adiamento do possível acordo final da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, realizada em Bali, na Indonésia, desde o dia 3.

O plenário da conferência foi suspenso, e os delegados foram convocados para as 8h de sábado.

O encerramento estava previsto para hoje, após duas semanas de intensas negociações, primeiro de caráter técnico e, nos últimos três dias, de alto nível, com a presença dos ministros do Meio Ambiente de mais de 130 países.

O órgão deveria ter votado esta tarde um texto que definisse um plano para conseguir um acordo em 2009 que dê continuidade ao Protocolo de Kioto, que expira em 2012.

Um reduzido grupo de países discutirá a portas fechadas durante a madrugada para elaborar um texto que possa ser aceito por todas as partes.

A divergência principal entre a União Européia e os Estados Unidos está nos compromissos de redução de emissões de gases do efeito estufa que os países desenvolvidos devem assumir.

Mais cedo, O secretário-executivo da conferência das Nações Unidas para mudanças climáticas, Yvo de Boer, disse que os negociadores reunidos em Bali, na Indonésia, estavam "à beira de um acordo" sobre o documento que vai ser produzido na reunião.

ENTENDA A REUNIÃO DA ONU SOBRE O CLIMA EM BALI

Para muitos especialistas, o 13ª encontro da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC, na sigla em inglês), em Bali será “fundamental” para o futuro das políticas relacionadas ao aquecimento global.

A expectativa é que do encontro na Indonésia, que ocorre entre 3 e 14 de dezembro, saíam as bases para o substituto do Tratado de Kyoto, o atual acordo internacional sobre emissões de gases do efeito estufa, que vence em 2012.

CONHEÇA A POSIÇÃO DOS PAÍSES NAS NEGOCIAÇÕES DE CLIMA, por David Fogarty

A Organização das Nações Unidas (ONU) pretende, nas negociações de Bali, na Indonésia, lançar um processo de dois anos a fim de comprometer os países ricos e pobres com o combate às mudanças climáticas. Mas o problema tem sido encontrar uma fórmula comum.

As negociações sobre o clima patrocinadas pela ONU começaram nesta segunda-feira e terminam no dia 14 de dezembro.

Nelas, a China, a Índia e outros países em desenvolvimento devem bater de frente com o bloco dos países industrializados, liderado pelos EUA, país que mais emite gases do efeito estufa no mundo.

Os países mais pobres acusam o governo norte-americano de não se esforçar para reduzir suas emissões -- os EUA argumentam que medidas do tipo prejudicariam seu crescimento econômico.

Conheça as plataformas de negociação de cada um dos grandes grupos presentes em Bali.

NAÇÕES UNIDAS

O mais recente Relatório sobre o Desenvolvimento Humano da ONU, lançado na semana passada, inclui alguns dos apelos mais dramáticos feitos até agora para que o mundo adote uma ação coletiva com vistas a evitar mudanças climáticas catastróficas que afetariam de forma desproporcional as regiões mais pobres.

Os autores do documento defenderam que as nações industrializadas, até 2050, diminuam as emissões de gases do efeito estufa para 80 por cento abaixo dos níveis de 1990. Os países em desenvolvimento precisariam cortar suas emissões, até 2050, para 20 por cento dos níveis de 1990.

'A mensagem para Bali é que o mundo não pode arcar com o preço da espera', afirmou à Reuters Kevin Watkins, pesquisador da Universidade Oxford, da Grã-Bretanha, e principal autor do relatório.

A ONU deseja que o mundo assine um novo pacto de combate às mudanças climáticas na conferência marcada para acontecer em Copenhague em 2009, após dois anos de negociações que seriam iniciadas em Bali.

PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO

CHINA -- O segundo maior emissor de carbono do mundo, cujos níveis de emissão aproximam-se daqueles dos EUA, diz que os países ricos são os responsáveis pela maior parte das emissões de gases do efeito estufa do planeta e que deveriam assumir a liderança nos cortes.

A China não parece disposta a aceitar a adoção de metas rígidas capazes de diminuir o ritmo alucinante de expansão da sua economia. E quer que os países ricos transfiram mais tecnologias capazes de reduzir as emissões.

Vários dos outros países em desenvolvimento, como a Índia, adotam uma postura semelhante.

O Brasil diz que os países ricos deveriam pagar pela preservação de áreas florestais, o que contribuiria para o combate às mudanças climáticas. E o Brasil, maior produtor de etanol do mundo, critica os EUA por imporem tarifas alfandegárias altas demais em relação aos biocombustíveis.

PAÍSES INDUSTRIALIZADOS

EUA -- O presidente norte-americano, George W. Bush, opôs-se ao Protocolo de Kyoto, afirmando que o acordo havia errado ao não impor metas de redução para os países em desenvolvimento e que prejudicaria a economia dos EUA.

Bush defende a realização de grandes investimentos em tecnologia limpa tais como o hidrogênio e o carvão 'limpo'. Em junho, ele concordou, junto de seus aliados do Grupo dos Oito (G8, que reúne países industrializados), com a necessidade de realizar 'cortes substanciais' nas emissões e de se esforçar para aprovar um novo acordo mundial sobre o clima em 2009.

UNIÃO EUROPÉIA -- A UE comprometeu-se com, até 2020, reduzir as emissões de gases do efeito estufa para ao menos 20 por cento dos níveis de 1990. E também prometeu aumentar esse corte para 30 por cento caso outros países o aceitem. A UE espera convencer os EUA e outras grandes economias a avançar rumo à adoção de metas compulsórias para conter e diminuir as emissões dos gases responsabilizados pelo aquecimento da Terra.

AUSTRÁLIA -- O novo governo do maior exportador de carvão do mundo ratificou nesta segunda-feira o Protocolo de Kyoto, transformando os EUA no único grande país industrializado a não ter assinado o acordo. Kevin Rudd, primeiro-ministro australiano, participará das negociações em Bali.

ENTENDA O QUE É O PROTOCOLO DE KYOTO

Um tratado que possa substituir o Protocolo de Kyoto deve estar, nos próximos anos, no centro do debate internacional sobre como enfrentar o aquecimento global.

O documento, criado em 1997 na cidade japonesa que deu nome ao acordo, estabelece metas para a redução de gases poluentes que, acredita-se, estejam ligados ao aquecimento global e tem data para expirar: 2012.

Segundo o tratado, apenas 30 países industrializados estão sujeitos a essas metas.

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