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Saddam Hussein: «Eu sou o Presidente», e classifica o processo contra si como «uma comédia»
15-Mar-2006

O ex-Presidente iraquiano Saddam Hussein recomeçou hoje a depor perante o tribunal e, minutos depois, o juiz ordenou que a sessão continuasse à porta fechada dado o conteúdo político e propagandístico das suas declarações, noticia a agência Lusa.

Saddam começou por voltar a classificar o processo contra si como «uma comédia» e prosseguiu afirmando-se Presidente do Iraque e apelando aos iraquianos para que resistam às forças da ocupação, afirmações que levaram o juiz presidente, Rauf Abdel Rahamn, a ordenar que a sessão continuasse à porta fechada.

«É uma comédia contra Saddam Hussein e os seus camaradas», afirmou o Presidente deposto perante o tribunal.

«Sou Presidente do Iraque e chefe supremo das Forças Armadas», prosseguiu, persistindo no tom de desafio com que tem comparecido em tribunal desde que começou a ser julgado, a 19 de Outubro.

«O que mais me magoa é o que ouvi recentemente sobre algo que visa prejudicar o nosso povo. A minha consciência diz-me que o grande povo do Iraque nada tem a ver com esses actos», disse Saddam, lendo de um depoimento escrito, numa alusão ao ataque contra a mesquita de Samarra.

O juiz interrompeu-o e disse-lhe que, na qualidade de acusado, não podia fazer discursos políticos, ao que Saddam respondeu: «Eu sou o Presidente».

O ex-Presidente continuou a ler e o juiz mandou desligar o microfone, por várias vezes, instando-o a limitar-se a responder às acusações que lhe são feitas.

Saddam ignorou o juiz e continuou a ler. O juiz acabou então por ordenar que a sessão continuasse à porta fechada e pediu aos jornalistas que saíssem da sala.

Durante a manhã, o tribunal ouviu o testemunho de Barzan Ibrahim al-Tikriti, meio-irmão de Saddam e chefe dos serviços de informações iraquianos durante o regime, que negou qualquer participação na repressão dos xiitas nos anos 1980.

«Não detive ninguém e o assunto foi tratado pela segurança», disse. «No primeiro dia, estive na sede do Baas (o partido então no poder) e libertei uma série de pessoas detidas pela segurança. Apertei- lhes a mão e ordenei que fossem libertados», acrescentou.

Ibrahim, que se apresentou com o tradicional lenço árabe vermelho e branco, foi questionado durante mais de três horas pelo juiz presidente e pelo procurador, que exibiram uma série de documentos e memorandos dos serviços de informações do regime emitidos na altura da repressão.

Um após outro, Barzan Ibrahim insistiu que os documentos são falsos e que as suas assinaturas foram forjadas: «Não são verdadeiros. São forjados», disse.

Portugal Diário

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