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Secretário-geral da ONU quer novo acordo climático até 2009
12-Dez-2007
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, pediu na quarta-feira ao mundo para definir até 2009 um novo tratado climático global, e disse que as reduções nas emissões dos gases do efeito estufa podem ser detalhadas depois da atual reunião da entidade em Bali.
Ban disse que a meta da atual reunião, que termina nesta semana, é que o mundo aceite lançar negociações para um tratado que suceda ao Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.
Ele ainda defendeu um futuro de "economias verdes" e desenvolvimento sustentável como remédio contra o aquecimento global."Com criatividade, é possível mitigar os seus efeitos", argumentou.
"A mudança climática é o desafio moral da nossa geração. A hora de agir é agora', pediu Ban aos ministros, divididos a respeito das bases a serem adotadas em negociações que levem a um tratado mais abrangente que o Protocolo de Kyoto.
Washington lidera a oposição a qualquer menção a provas científicas da necessidade de reduzir de 25% 40%(sobre os níveis de 1990) as emissões de gases do efeito estufa até 2020.
A UE voltou a insistir na necessidade destes cortes. "Os países desenvolvidos têm que reduzir coletivamente suas emissões entre 25 e 40% em relação aos níveis de 1990 antes de 2020, por meio de esforços nacionais e internacionais", afirmou o ministro português do Meio Ambiente, Francisco Nunes Correia, cujo país preside atualmente a UE.
Ban foi diplomático, mas alinhou-se à proposta européia. 'Temos dois anos antes de concluirmos um acordo internacional sobre este assunto', afirmou o sul-coreano, que pediu respeito à conclusão de uma comissão da ONU que sugere a redução de 25% a 40% nas emissões.
Brasil critica países ricos
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu hoje aos países ricos que "deixem de pregar e dêem exemplo", e denunciou as barreiras impostas aos biocombustíveis ao discursar na conferência.
"Os responsáveis históricos pela concentração de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera devem deixar de nos dar sermão e pregar com o exemplo", declarou Amorim aos participantes da conferência sobre o clima, organizada pela ONU na ilha indonésia de Bali.
Amorim também solicitou ao mundo desenvolvido que forneça os fundos financeiros para ajudar os países em desenvolvimento a aplicar medidas de abrandamento e adaptação às catastróficas conseqüências do aumento da temperatura.
IPCC faz apresentações
O presidente do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), Rajendra Pachauri, mostrou um vídeo com as conclusões do quarto relatório de avaliação elaborado pelos especialistas.
Pachauri, que recebeu o Nobel da Paz na segunda-feira, em Oslo, repassou as principais conclusões do relatório do IPCC, que foi aprovado por unanimidade na reunião do órgão em Valência (Espanha), no mês passado.
O presidente do IPCC reafirmou que a mudança climática é "inequívoca" e citou evidências já demonstradas, como o aumento da temperatura do ar e dos oceanos, o degelo e o aumento do nível do mar.
Negociações
As negociações preliminares de Bali devem ser concluídas na sexta-feira ou na madrugada de sábado. Os encontros anuais da ONU sobre clima habitualmente têm discussões exaustivas, que atravessam a noite.
A ONU quer que o novo tratado esteja definido até 2009 para que os Parlamentos tenham três anos para ratificá-lo e para que empresas e governos do mundo todo tenham tempo para se adaptar às novas regras, que provavelmente exigirão bilhões de dólares em investimentos diversos, como painéis de energia solar e turbinas para substituir o carvão por vento em termoelétricas.
Com informações da Reuters, EFE, AFP e BBC
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