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...

Vários jornais europeus publicam caricaturas de Maomé
02-Fev-2006
IslamismoInúmeros veículos europeus decidiram publicar, em nome da liberdade de imprensa, caricaturas de Maomé, como já havia feito o jornal dinamarquês "Jyllands-Posten", revoltando o mundo muçulmano.

Na França, o jornal popular "France Soir" é, por enquanto, o único a divulgar em sua primeira página desta quarta-feira as 12 caricaturas com a seguinte manchete: "Sim, temos o direito de caricaturar Deus".

O editorial afirma que "não há nos desenhos nenhuma intenção racista, nenhuma vontade de denegrir uma comunidade como tal".

O ministro francês das Relações Exteriores, Philippe Douste-Blazy, comentou que espera que a liberdade de imprensa seja exercida em um "espírito de tolerância".

"As caricaturas publicadas hoje (quarta-feira) neste jornal comprometem apenas a responsabilidade do jornal", declarou o chanceler, ao ser questionado sobre a publicação das caricaturas do profeta pelo "France Soir".

Na Espanha, o jornal nacional "ABC" (direita) e o catalão "El Periodico" (esquerda) também reproduziram as caricaturas.

"É lógico que as caricaturas irritem alguns muçulmanos, mas não é lógico que, em nome de uma leitura literal e desumana do Alcorão, tente-se eliminar as críticas também no estrangeiro ou que se ameace os que (...) exercem a sátira", declara "El Periodico".

A imprensa britânica não publicou as caricaturas.

Na Itália, "La Stampa" ilustra um artigo sobre o tema com um dos desenhos mais polêmicos, que mostra Maomé com um turbante em forma de bomba com o pavio aceso. O jornal não invoca, porém, a liberdade de expressão. Já "Il Messaggero" se contenta em apresentar um artigo, sem charge.

Em contrapartida, "Il Corriere della Sera", o jornal de maior tiragem no país, publicou dois desenhos na segunda-feira. Em um deles, o profeta recebe camicases no paraíso, condenando uma quebra no estoque de jovens virgens.

Eles fazem parte de uma longa crônica de Magdi Allam, editorialista muçulmano, que considera as caricaturas "certamente discutíveis", mas também defende a liberdade de imprensa. "O que o Ocidente espera para intervir? Vai adotar a política do avestruz, até que um outro Theo van Gogh seja assassinado (cineasta holandês morto em novembro de 2004 por um islamita marroquino-holandês), em Copenhague ou em Oslo?", questiona.

Na Suíça, o jornal popular "Blick" publicou dois desenhos ontem e "La Tribune de Genève" pretende fazer o mesmo em sua edição de amanhã para, segundo seu editor-chefe, "alimentar o debate, mostrando o objeto do crime".

"Esse caso é uma amostra do choque entre uma cultura muito secularizada, como a nossa, e uma outra cultura, onde a religião é central", explica Dominique von Burg, acrescentando que "podemos compreender os sentimentos dos muçulmanos, mas estamos em um Estado pluralista, temos o direito de fazer isso".

Na Holanda, "De Volkskrant" (progressista), "De Telegraaf" (popular) e "NRC Handelsblad" publicam um ou vários desenhos, ou a reprodução da polêmica página do "Jyllands-Posten".

Os demais veículos optaram por mostrar fotos de manifestantes na frente das embaixadas dinamarquesas ou por fazer suas próprias caricaturas.

Em Praga, o jornal tcheco divulga uma pequena reprodução das caricaturas com um sucinto artigo sobre o assunto.

Na Hungria, o tema foi lembrado, mas sem ilustrações.

Na Alemanha, o porta-voz da Federação dos Jornalistas Alemães (DJV) Hendrik Zörner, disse ser contrário à publicação das caricaturas, lembrando que o código de deontologia da imprensa alemã proíbe matérias ou imagens suscetíveis de provocar um grave dano "aos sentimentos religiosos ou morais de um grupo de pessoas".

O jornal "Die Welt" (conservador) foi o único grande jornal alemão a reproduzir na capa uma das caricaturas dinamarquesas (a de Maomé com um turbante em forma de bomba). Outras quatro estão no miolo.

Em seu editorial, o jornal escreve: "Levaríamos os protestos muçulmanos mais a sério, se eles fossem menos hipócritas".

AFP
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