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Amílcar Tavares.

...

Cabo Verde importa areia da Mauritânia
04-Dez-2006

Cabo Verde iniciou a importação de areia da Mauritânia com a chegada domingo ao porto da Praia de um barco com o primeiro carregamento de três mil toneladas desse material de construção, numa operação destinada a suprir a sua escassez no arquipélago, constatou a PANA no local.

A grande procura de areia para a construção civil já provocou danos visíveis nas praias de Cabo Verde, sendo nalguns casos irreversíveis.

Por outro lado, devido à escassez de água, a areia em Cabo Verde não pode, como acontece amiúde na Europa, ser extraída longe do litoral por ser para isso necessário proceder a diversas lavagens dos inertes para recuperar o grão fino de que a construção civil tem absoluta necessidade.

Um pouco por todas as ilhas onde este problema começa a ser impossível de esconder, a retirada das areias leva a água do mar a penetrar nos poços que alimentam a escassa mas essencial agricultura local.

Para equilibrar a necessidade de corresponder à procura cada vez mais intensa de areia para a construção civil e a preservação do meio ambiente, fundamental para o desenvolvimento do turismo, o governo cabo-verdiano negociou um contrato de importação com as autoridades da Mauritânia, onde a matéria-prima abunda nos seus desertos, nomeadamente no Sara.

No entanto, este processo vem arrastando-se há cerca de dois anos, devido a dificuldades enfrentadas pela empresa que se disponibilizou a fazer essa importação e posterior comercialização.

Este atraso e a proibição da extracção da areia deram origem a uma escassez desse material o que, por sua vez, atrasou e paralisou várias obras de construção civil, sobretudo nas ilhas onde a pressão desse sector é mais significativa, como Santiago, que alberga a capital (Praia), São Vicente e Sal.

A partir de agora, a empresa Central de Britagem vai passar a transportar o inerte em batelões ou cargueiros de modo a abastecer o mercado da construção civil de areia sem a necessidade de se recorrer à apanha clandestina nas praias onde ainda se pode encontrar esse material.

Uma fonte da empresa considera que a chegada do primeiro barco ao porto da Praia é o primeiro sinal de uma reviravolta que vai resolver a penúria de areia que se vive no país e combater a sua apanha desenfreada nas praias.

A fonte da Central de Britagem garante ainda que, com a vinda de mais barcos com a areia, o mercado vai estabilizar-se num prazo máximo de quatro semanas.

PANAPRESS - www.panapress.com

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