| Governo e sindicatos em desacordo face a aumento salarial |
| 30-Mai-2006 | |
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A maior central sindical de Cabo Verde anunciou hoje que vai avançar com "novas estratégias de luta" face à ausência de acordo com o governo sobre aumentos salariais. A União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde(UNTC-CS) justificou as novas formas de protesto, que ainda não definiu, com a "intransigência do governo" em não aceitar uma actualização salarial acima dos três por cento. Esta posição surge depois do falhanço da reunião do Conselho de Concertação Social, na passada sexta-feira, em que o governo e os parceiros sociais, nomeadamente sindicatos e representantes do patronato, não conseguiram chegar a qualquer acordo nesta matéria. Inicialmente, as propostas de aumento eram de cinco por cento por parte da UNTC-CS, nove por cento da Confederação Cabo-verdiana dos Sindicatos Livres(CCSL) e de cinco por cento do representante do Patronato (a Câmara de Comércio Indústria e Serviços de Sotavento). Perante o cenário que se desenhou ao longo da reunião, os parceiros, de acordo com Secretário-geral da UNTC-CS, Júlio Ascensão Silva, negociaram entre si e decidiram ceder e unificar as suas propostas em quatro por cento. Mas, mesmo assim, segundo aquele sindicalista, o governo manteve-se "intransigente" e recusou abrir mão do tecto máximo dos três por cento. Da parte do executivo, o ministro do Trabalho e Solidariedade, Sidónio Monteiro, que presidiu à reunião do Conselho de Concertação Social, justificou esta proposta com a taxa de inflação prevista para este ano no país, que é de 1,5 a 2,6 por cento. Segundo Sidónio Monteiro, em Conferência de Imprensa, ao apresentar a sua proposta o governo seguiu o acordo, em vigor desde 1997, nos termos do qual os aumentos salariais são definidos em função da inflação prevista. Pelo mesmo acordo, salientou Sidónio Monteiro, caso o índice seja superior, as correcções no salário serão feitas no ano seguinte. O ministro diz mesmo que já não existem condições para se manter o acordo que, segundo ele, não foi respeitado pelas centrais sindicais. Este argumento não é, entretanto, aceite pela UNTC-CS, para a qual a inflação para este ano não reflecte a realidade, "pois tem como base um Índice de Preço no Consumidor(IPC), que há mais 20 anos não é actualizado". "A tendência de inflação para este ano é superior aos 5 por cento. O Governo sabe muito bem disso e sabe, inclusivamente, que esta é a previsão do FMI", disse Júlio Ascensão Silva. A UNTC-CS apela também ao governo para voltar à mesa de negociações e tentar através da concertação um acordo que vá ao encontro dos interesses de todas as partes e evite que o processo entre numa via de conflituosidade. A CCSL também já manifestou a sua rejeição da posição do governo, não excluindo a hipótese de avançar com uma manifestação, na cidade da Praia e em São Vicente, contra aquilo que chama de "abuso por parte do governo". De acordo com Secretário-geral da CCSL, José Manuel Vaz, esta central sindical pretende conjugar forças com a UNTC-CS contra esta situação que considera "anormal" e que "fere o princípio de liberdade e da democracia". Notícias Lusofonas - www.noticiaslusofonas.com Comentários (0)
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