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Morte de turistas italianas não afecta turismo, diz responsável
20-Fev-2007
O duplo homicídio da semana passada na ilha do Sal, Cabo Verde, não afectará o turismo no país, garante o vice-presidente da União dos Operadores Turísticos de Cabo Verde, Manuel António Lobo Em declarações à Agência Lusa na ilha do Sal, onde «Patone» Lobo tem um dos maiores complexos hoteleiros, o responsável garantiu que, até agora, não foi cancelada qualquer reserva e que todos os hotéis da ilha estão cheios.

Declarações a propósito da morte de duas turistas italianas no passado dia 08, assassinadas pelo antigo namorado de uma, crime que chocou pela brutalidade com que foi cometido.

O homicida, ajudado por um cúmplice, matou as duas por asfixiamento e golpes de pedras na cabeça, enterrando-as depois num local ermo. Uma terceira jovem conseguiu escapar e deu o alarme, pelo que a polícia prendeu os dois homens no dia seguinte ao crime.

O crime teve contornos passionais e, por isso, poderia ter acontecido em qualquer parte do mundo, disse à Lusa o cônsul de Itália em Cabo Verde, Luigi Zirpoli. Mas foi também o mesmo cônsul que revelou à Lusa que os pais de Dália Saiani, 33 anos, a antiga namorada, se queixaram de ter desaparecido da casa que a jovem possuía no Sal cerca de 10 mil euros, destinados a investimentos na ilha.

Contactada pela Lusa, a Polícia Judiciária de Cabo Verde não confirmou nem desmentiu, afirmando apenas que prosseguem as investigações.

Ainda que muito mediatizado, o crime não abalará a ilha do Sal, o principal pólo turístico do país, garante «Patone» Lobo, frisando que as pessoas percebem «que a sociedade de Cabo Verde não se tornou violenta da noite para o dia».

O responsável lamenta também que o Sal se esteja a tornar um «destino de turismo sexual». «Ainda há poucos dias recebi um contacto de uma agência de viagens especializada em turismo para pessoas sós, entende-se o que isso é», exemplificou.

Diz «Patone» que chegam constantemente a Santa Maria (a principal zona turística do Sal) mulheres, muitas delas de Itália, à procura de parceiros fáceis, deixando implícito que Dália poderia ter alguma culpa no que se passou, ao envolver-se com um jovem que até era conhecido por instintos agressivos.

Dália tinha uma casa no Sal, onde vivia vários meses por ano, e planeava mesmo mudar-se definitivamente para a ilha, um «paraíso» para a prática do seu desporto de eleição, o surf.

Giorgia Busato, sua amiga de longa data, partilhava a paixão por Cabo Verde mas não pelo surf, embora já praticasse tal desporto graças aos ensinamentos do seu namorado, Ivaldo Varela, um cabo-verdiano conhecido em Santa Maria como «Russo»

Na ponta sul da ilha, em Santa Maria, ficam as grandes cadeias de hotéis, as praias de areia branca e as ondas conhecidas pelos surfistas de todo o mundo. E foi por isso que no mesmo avião em que viajaram no passado dia 05 Dália e Giorgia chegou também ao Sal Agnese Paci, de 17 anos e amiga de Dália. Era a primeira vez que visitava a ilha.

No ano passado Dália Saiani mantivera com Sandro do Rosário uma relação íntima, que este ano não teve continuidade, contou à Lusa o namorado de Giorgia, que conhecia Sandro e que lembra até os bons momentos que passaram os quatro, no ano passado.

No dia 08, Sandro do Rosário convidou a ex-namorada para um jantar em sua casa, na cidade capital da ilha, Espargos, mas a jovem optou, sentindo-se assim mais segura, por levar as duas amigas, Giorgia e Agnese.

Fontes policiais e amigos das vítimas contaram à Lusa que Sandro foi buscar as três jovens ao início da noite dessa quinta-feira e que ia acompanhado de um amigo, conhecido por «Titã».

Segundo relatos da polícia, citando as confissões dos dois jovens, Sandro não se dirigiu a sua casa, como estava previsto, mas antes conduziu em direcção a Palmeira, perto de Espargos, onde alegadamente iria levar o amigo que com eles viajava.

Porém, pouco antes de chegar a Palmeira, Sandro desviou para a praia de Fontona, uma zona sem casas mas que tem a particularidade de ser das poucas da ilha que é arborizada.

«O Sandro disse-lhes que íamos só dar uma voltinha à praia», contou «Titã» à polícia, citado pelo comissário dos Espargos, José João de Pina.

Cerca de dois quilómetros mais à frente, numa estrada de terra batida e erma, Sandro, ainda segundo a mesma fonte, parou o carro, usou um spray para atordoar as jovens que viajam no bando de trás, tirou Giórgia do carro e estrangulou-a, depois ele e o amigo mataram Dália, ou julgam matar, da mesma forma, enquanto avisavam Agnese que se saísse do carro lhe acontecia o mesmo.

Agnese ficou dentro do automóvel, enquanto as amigas eram colocadas numa cova aberta perto (há várias no local, feitas para tirar pedra para a construção civil e de estradas) e aí agredidas na cabeça com uma pedra grande e pontiaguda.

«Titã» contou ao comissário da polícia dos Espargos que os dois viram que Dália ainda estava viva quando começaram a despejar-lhe baldes de terra para cima, comprovado pelo facto a autopsia ter revelado vestígios de terra e areia nos pulmões.

Ainda segundo relatos do comissário, Sandro terá depois agredido e violado Agnese Paci num local um pouco afastado, regressando depois para junto do amigo para o ajudar a enterrar as duas jovens.

Só que ao regressarem ao local onde ficara Agnese esta já lá não estava, passando a noite escondida e caminhando já de manhã pela praia até encontrar ajuda, na estrada que liga Espargos a Santa Maria.

Levada ao hotel Djadsal, onde estavam hospedados os amigos, Agnese contou que fora agredida por Sandro numa zona arborizada. Na altura a jovem surfista não sabia que as amigas estavam mortas.

Um grupo de italianos deslocou-se então para Fontona e descobriu os restos do telemóvel de Agnese, que Sandro partira quando viu que ela tentava mandar uma mensagem, e depois o monte de terra, que lhes deixou suspeitas. Foram pois os amigos que encontraram os corpos e chamaram a polícia quando ao revolverem a terra viram um braço de uma delas.

A polícia começou as investigações à hora de almoço daquela sexta-feira e ao fim da tarde os dois principais suspeitos estavam detidos, aguardando agora o julgamento em prisão preventiva.

Sandro, com passaporte português, planeava fugir nesse mesmo dia para Portugal. Agnese regressou a Itália na passada terça-feira e na quarta-feira seguiram os corpos das duas amigas.

Lusa/SOL
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