| Novo IPC revela hábitos de consumo típicos de países desenvolvidos |
| 11-Jun-2006 | |
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O Instituto Nacional de Estatísticas (INE) deverá aprovar, no decurso do terceiro trimestre deste ano, um novo Índice de Preços no Consumidor (IPC), com um novo cabaz de compras e novos ponderadores, anunciou o presidente do INE, Francisco Tavares. O actual IPC remonta ao Inquérito às Despesas e Receitas das Famílias (IDRF), feito em 1989, e já não reflecte os hábitos de consumo dos cabo-verdianos, que hoje se assemelham aos que existem nos países desenvolvidos, o que induz a cálculos errados, nomeadamente da taxa de inflação. Francisco Tavares admite o atraso, mas justifica-o com “a falta de recursos” e “o volume de trabalho e o rigor científico que este instrumento requer”, bem como a “disponibilidade do parceiro técnico”, o Instituto Nacional de Estatística de Portugal. Segundo o presidente do INE, o ideal é que o IDRF “seja feito de cinco em cinco anos” para que os hábitos de consumo dos cabo-verdianos sejam acompanhados de perto, esclarecendo que o último IDRF, com base no qual vai ser elaborado o novo IPC, foi realizado em 2001/2002. Ou seja, com um intervalo de 13 anos. O próximo IDRF está agendado para 2007/2008 para permitir que, em 2010, se “faça um novo Índice de Preços ao Consumidor”, adiantou Francisco Tavares. Quanto ao IPC, que está em vias de ser concluído, ele terá como base a recolha de dados feita em três ilhas, Santiago, S. Vicente e Santo Antão, que representam “85 por cento da população cabo-verdiana”. Serão, pois, cobertos “três grandes centros urbanos”, o Mindelo, a Praia e a Assomada, informa o presidente do INE, explicando que o “essencial das aquisições se fazem no meio urbano”, devendo concentrar-se aí a recolha de dados. O novo IPC também terá “em devida conta a representação espacial de Cabo Verde”, frisou Francisco Tavares, acrescentando que “um terço da população vive no interior de Santiago” e que o “maior mercado rural” do país, Santa Catarina, também está presente. As alterações nos hábitos de consumo dos cabo-verdianos medem-se, no novo cabaz, pelo peso que certas despesas têm agora, relativamente ao anterior, e que são típicas dos hábitos dos países desenvolvidos. Como exemplo, o presidente do INE avança com o caso da alimentação e bebidas que, no anterior IPC, representava 53 por cento das despesas e que tem, no actual, um peso de 38 por cento. Itens como os combustíveis, que antes tinham pouco peso, agora assumem maior importância na estrutura das despesas, já que houve um aumento considerável no número de famílias que hoje dispõem de automóvel. O mesmo sucede com o gás. Em 1989, eram poucas as famílias que usavam gás na cozinha, a lenha era o principal combustível, e hoje o seu uso está generalizado. Inforpress - www.inforpress.cv Comentários (0)
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