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Portugueses juntam-se à corrida dos resorts golfe em Cabo Verde
21-Mar-2007
Dois promotores imobiliários portugueses, a Design Resorts e o grupo Sacramento Campos, preparam-se para avançar no disputado negócio das estâncias turísticas associadas ao golfe na Ilha de Santiago, Cabo Verde, num investimento global de 950 milhões de euros.
Francisco Mendonça, da Design Resorts, disse à Lusa que o empreendimento Ponta Bicuda começará a ser construído em Novembro, para ser concluído no final de 2009, e já está a ser comercializado desde finais do ano passado, com prioridade para o mercado britânico.

No Reino Unido e Irlanda, que no conjunto representam perto de 40 por cento das vendas mundiais de segunda habitação, sobretudo no sul da Europa, "tem crescido muito a apetência por Cabo Verde", que já está "entre os principais destinos turísticos", adiantou Mendonça.

Outros mercados-alvo são a Espanha, Itália, Portugal e os países do norte da Europa, como Holanda e Alemanha.

O Ponta Bicuda, a curta distância do novo aeroporto internacional da ilha "capital", nem é dos maiores a serem desenvolvidos no arquipélago, mas "posiciona-se acima dos outros, é um cinco estrelas", diz o responsável da Design Resorts.

O "resort" de 65 hectares e quatro quilómetros de costa, é promovido pela sociedade Vilas Oceânicas, que junta a Design e o empresário cabo-verdiano José António Teixeira, ex-sócio da maior promotora imobiliária do país, a Tecnicil.

O grupo português inclui vários empresários e investidores e é presidido José Roque Martins, responsável por um empreendimento semelhante no centro de Portugal, o Bom Sucesso, próximo de Ÿbidos.

O investimento total previsto no Ponta Bicuda é de 200 milhões de euros, incluindo seis unidades hoteleiras e três áreas residenciais, num total de 1.300 casas, além de áreas de lazer, serviços e comércio.

Cerca de 95 por cento das casas, promete o folheto de promoção, "dispõem de impressionantes vistas sobre o oceano".

Sobretudo após a conclusão do novo aeroporto internacional da Praia, a Ilha de Santiago tem sido alvo de intensa promoção de "resorts" turísticos e residenciais.

O maior destes é provavelmente o Sambala Village, projecto avaliado em 630 milhões de euros, promovido pelo grupo inglês Grepne na Baía de São Francisco.

A concluir até 2025, inclui a construção de dois hotéis de luxo, marina, campo de golfe, além de áreas residenciais.

Na capital cabo-verdiana, o empresário de Macau David Chow anunciou recentemente um investimento de 100 milhões de dólares num empreendimento que inclui casino, hotel e restaurantes.

Fora da ilha de Santiago, anunciam-se ainda importantes projectos ligados à prática do golfe, como o Murdeira Beach, no Sal, ou o Baía das Gatas, em São Vicente, que representam um investimento de 2,5 mil milhões de euros, até 2011.

Bem mais antigo é o projecto do grupo Sacramento Campos, um dos maiores distribuidores de materiais de construção em Portugal, que prevê um investimento total de 750 milhões de euros, nos próximos sete anos.

Carlos Almeida, administrador do grupo, adiantou à Lusa que a segunda fase do Santiago Golf Resort (SGR) será lançada até final de Abril, prevendo 230 lotes para moradias e apartamentos turísticos, com uma área média de 1.000 metros quadrados cada.

A maior parte do investimento deverá ser realizada na terceira fase, em 2008, para quando está prevista a construção de uma marina, para 180 embarcações, campo de golfe e hotéis, além de moradias e apartamentos.

Na primeira fase, Quinta da Achada que já está integralmente vendida, foram vendidos 200 lotes de 2.500 metros quadrados.

O projecto, numa área de 539 hectares, envolve um sócio local, o ex-embaixador de Cabo Verde em Portugal, Eugénio Inocêncio, que detém 25 por cento da sociedade promotora.

O sector do turismo tem vindo a ganhar peso na entrada de receitas e divisas estrangeiras na economia cabo-verdiana, constituindo actualmente uma das principais apostas do governo para o desenvolvimento.

Os últimos dados disponíveis do Banco de Cabo Verde (BCV) indicam que em 2005 a procura turística no arquipélago aumentou mais de um quarto, ritmo cerca de cinco vezes superior ao registado no ano anterior, atingido receitas de 9.565 milhões de escudos cabo-verdianos (cerca de 87 milhões de euros).

Notícias Lusófonas - www.noticiaslusofonas.com
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