Sector privado cabo-verdiano quer outras oportunidades de negócios para EUA
13-Dez-2007
O sector privado cabo-verdiano considerou hoje, que as oportunidades de negócios oferecidas pelos Estados Unidos da América (EUA), através da AGOA não se adequam a realidade económica de Cabo Verde.
Representantes do sector fizeram essa análise num debate entre empresários cabo-verdianos e a representante Adjunta do Comércio dos EUA, Florizelle Liser, no âmbito de uma missão norte americana promovida pelo Cabo Verde Investimentos (CI) ao país.
"Mostramos que o caminho que Cabo Verde está a seguir não é um caminho da AGOA tal e qual como foi desenhada para África", explicou o presidente do CI, Victor Fidalgo que defendeu, no entanto, a necessidade de continuar o dialogo para que a cooperação empresarial entre os sectores privados americano e cabo-verdiano seja orientada particularmente, para tirar proveito das potencialidades actuais do arquipélago.
Segundo Victor Fidalgo, "talvez mais do que uma mera troca comercial, queremos fazer os americanos compreenderem que Cabo Verde tem condições para atrair grandes investimentos noutros sectores que não nos seleccionados pela AGOA".
Cabo Verde apresenta várias oportunidades de investimentos, nomeadamente nas áreas do turismo, energia, saúde, educação, transportes marítimos e aéreos, além de algumas indústrias orientadas para reexportação, indicou Fidalgo.
"São essas as oportunidades que existem para o investimento em Cabo Verde, daí que acreditamos que a mensagem será transmitida ao sector privado americano", salientou o presidente do CI.
A missão americana foi informada sobre a política económica do governo cabo-verdiano neste momento, e as oportunidades de investimentos existentes no país, bem como os incentivos para o investidor privado no país.
Por sua vez, a representante Adjunta do Comércio dos Estados Unidos da América, Florizelle Liser, disse acreditar que deste encontro, poderá resultar outros investimentos dos norte-americanos em Cabo Verde.
"Neste momento já existe um grande investimento direccionado para o sector dos serviços, mas achamos também, que outros investimentos poderão ser canalizados para outras áreas como a de produção", frisou.
Relativamente às oportunidades de negócios a nível da AGOA, Florizelle Liser disse que o seu país está à espera que Cabo Verde apresente, pelo menos, três produtos no mercado norte-americano.
"Apesar de poucos recursos naturais e uma fraca capacidade produtiva, estamos a espera que Cabo Verde apresente esses três produtos para podermos ajuda-lo a desenvolver as suas capacidades produtivas nessas áreas", declarou Florizelle Liser.
A AGOA foi promulgada a 18 de Maio de 2000 como Title I da Lei do Comércio e Desenvolvimento de 2000. A lei oferece incentivos tangíveis para que os países africanos prossigam os seus esforços de abertura das suas economias e de criação de mercados livres.
A lei original foi, entretanto, emendada duas vezes e aperfeiçoada pelo Congresso desde que foi decretada pela primeira vez.
Os benefícios da AGOA estão disponíveis apenas para países que estão a fazer um progresso contínuo rumo a uma economia de mercado, estado de direito, comércio livre, políticas económicas que diminuirão a pobreza e protecção dos direitos dos trabalhadores.
Ao proporcionar aos países africanos um maior acesso aos mercados americanos, a AGOA estimula o desenvolvimento nestes países, fomentando novas oportunidades comerciais e económicas e promovendo valores comuns e responsabilidades.
Trinta e sete países africanos, inclusive Cabo Verde, são elegíveis para benefícios económicos e comerciais no quadro da Lei para o Crescimento e a Oportunidade de África (AGOA).
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