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Angola: Cabo-verdianos celebram 05 de Julho sem a `mística´ do passado
04-Jul-2007

Pela segunda vez consecutiva, nos últimos três anos, os cidadãos cabo-verdianos radicados em Angola vão celebrar um aniversário da independência de Cabo Verde sem o tradicional espírito de união evidenciado desde os anos 90.

Esta realidade pode ser fundamentada pela letargia e falta de harmonia entre as suas associações em Angola, Associação Cabo-verdiana de Angola (ACA) e a Liga dos Naturais e Amigos de Cabo Verde (Lina-CV).

Contrariamente a outras épocas, em que o 05 de Julho foi comemorado com várias actividades, a efeméride terá este ano um "sabor" diferente do ponto de vista estratégico, mas os festejos poderão pôr à nu a empatia das duas principais organizações comunitárias, cujo rompimento de relações se vem acentuando desde 2005.

Os naturais daquele arquipélago, proclamado independente em 1975 por Amilcar Cabral, se propõe a realizar este três encontros de confraternização que, apesar de inovadores, serão promovidos sem a colaboração directa e indirecta dos ainda líderes associativos.

Dos três organizadores conhecidos, apenas o núcleo dinamizador da futura Associação de Jovens Cabo-verdianos (AJOCA) tem vindo a mostrar vontade para congregar os conterrâneos nesse tipo de eventos, sem fugir de vista, em momento algum, a filosofia trazida até 2005 pelas associações já consignadas: festejar a independência com alegria e união.

Apesar do querer e da voluntariedade dos mais de 60 membros até aqui registados, fica fácil prever que essa organização tenha ainda um longo caminho a percorrer, até atingir os índices de mobilização dos seus antecessores (associações), aos quais se exige maior "elasticidade" na missão de juntar e encorajar os compatriotas.

Ainda que inovadora a filosofia de festejar o 05 de Julho sem uma manifestação centralizada e promovida por pelo menos duas das associações legalmente inscritas, salta à vista o facto de a Embaixada Cabo-verdiana depositar o voto de confiança nos novos realizadores de evento.

O elenco do embaixador de Cabo Verde em Angola, Silvino da Luz, garante o apoio à AJOCA e a outros que venham a surgir, para juntos tentarem solucionar os problemas.

Todo esse cenário de preocupação derivou do facto de as duas mais antigas organizações crioulas no país: a Associação Cabo-verdiana de Angola (ACA) e a Liga dos Naturais e Amigos de Cabo Verde (Lina-CV) terem mergulharam num processo de marasmo, que tem originado o massivo afastamento e (ou) abandono dos seus associados.

Pressionadas a realizar assembleias-gerais de balanço e renovação de mandatos, há quase três anos, as duas funcionaram até 2005 como exímios defensores da cultura e filosofia da imigração crioula, mas têm vindo a assistir impotentes ao crescimento e afirmação da AJOCA, alegadamente por "falta de tempo dos seus líderes associativos".

Em 2006, a ACA anunciou mudanças de direcção e deu sinais de querer melhorar os índices de actuação, mas, a par da Lina-CV e do Núcleo de Mulheres Naturais e Amigas de Cabo-verde, quase nada tem feito de vulto em prol da unidade dos cabo-verdianos.

Como diz um velho adágio, o tempo é o melhor remédio para duras abalações, mas a julgar pelo andar da carruagem, vislumbra-se um cenário preocupante para a comunidade cabo-verdiana e, diga-se, uma péssima passagem de testemunho da geração intermédia (de 1960-1970) à voluntariosa juventude das décadas de 80 e 90.

É caso para dizer que "dai à César o que é de César" e à AJOCA o espaço que ela procura, por forma a se buscarem soluções capazes de relançar e reagrupar a comunidade crioula num clima de harmonia e paz, seguindo os ensinamentos patriótico do "Pai da Nação cabo-verdiana", Amílcar Cabral. A ver vamos!

O país da morna e coladera completa nesta quinta-feira 32 anos desde a proclamação da sua independência nacional, a 05 de Julho de 1975.

Elias Tumba, correspondente da Inforpress em Angola

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