| Angola: Cabo-verdianos celebram 5 de Julho sem a “música” do passado |
| 06-Jul-2007 | |
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Pela segunda vez consecutiva, nos últimos três anos, os cidadãos cabo-verdianos radicados em Angola celebram um aniversário da independência de Cabo Verde sem o tradicional espírito de união evidenciado nas décadas de 80 e 90.
Esta realidade pode ser fundamentada pela letargia e falta de harmonia entre as suas duas organizações principais: Associação Cabo-verdiana de Angola (ACA) e a Liga dos Naturais e Amigos de Cabo Verde (Lina-CV). Contrariamente a outras épocas, em que o 5 de Julho foi comemorado com actividades centralizadas, a efeméride terá este ano um "sabor" diferente do ponto de vista estratégico, mas os festejos poderão pôr à nu a empatia dessas organizações, cujo rompimento de relações se vem acentuando desde 2005. Os naturais do arquipélago, proclamado independente em 1975 pelo nacionalista Amilcar Cabral, se propõe a realizar este ano três encontros de confraternização que, apesar de inovadores, serão promovidos sem a colaboração directa e indirecta dos ainda líderes associativos. Dos três organizadores conhecidos, apenas o núcleo dinamizador da futura Associação de Jovens Cabo-verdianos (AJOCA) tem vindo a mostrar vontade para congregar os conterrâneos nesse tipo de eventos, sem fugir de vista, em momento algum, a filosofia trazida até 2005 pelas associações já consignadas: festejar a independência com alegria e união. Apesar do querer e da voluntariedade dos mais de 60 membros até aqui registados, fica fácil prever que essa organização tenha ainda um longo caminho a percorrer, até atingir os índices de mobilização dos seus antecessores (associações), aos quais se vem exigindo maior "elasticidade" na missão de aproximar e encorajar os compatriotas em Angola. Ainda que inovadora a filosofia de festejar o 5 de Julho sem uma manifestação centralizada e promovida por pelo menos duas das associações legalmente inscritas, salta à vista o facto de a Embaixada Cabo-verdiana depositar o voto de confiança nos novos realizadores de evento. O elenco do embaixador Silvino da Luz garante o apoio à AJOCA e a outros que venham a surgir, colectivamente, para em conjunto tentarem solucionar os problemas da comunidade. Todo esse cenário de preocupação derivou do facto de ACA e a Lina-CV, as mais antigas associações crioulas constituídas em Angola, terem mergulhado num processo de marasmo, que tem originado (a olho nu) um massivo afastamento e consequente abandono dos seus associados. Pressionadas a realizar assembleias-gerais de balanço e renovação de mandatos, há quase três anos, ambas funcionaram até 2005 como exímias defensoras da filosofia crioula, mas têm vindo a assistir impotentes à afirmaçãoda AJOCA, por alegada "falta de tempos dos seus lideres associativos". Em 2006, a ACA anunciou mudanças de direcção e deu sinais de querer melhorar os índices de actuação, mas, a par da Lina-CV e do proprio Núcleo de Mulheres Naturais e Amigas de Cabo Verde, quase nada tem feito de vulto em prol da unidade dos cabo-verdianos. Como diz um velho adágio, o tempo é o melhor remédio para duras abalações, mas a julgar pelo andar da carruagem, vislumbra-se um triste cenário para a comunidade cabo-verdiana e, diga-se, uma péssima passagem de testemunho da geração intermédia (1960-1970) à voluntariosa juventude da década de 80. É caso para dizer que "dai à César o que é de César" e à AJOCA o espaço que ela procura, por forma a se buscarem soluções capazes de relançar e reagrupar a comunidade num clima de paz e harmonia, seguindo os ensinamentos patrióticos de Amilcar Cabral. A ver vamos! O país da morna e coladera completa nesta quinta-feira 32 anos desde a proclamação da sua independência nacional, a 05 de Julho de 1975. Inforpress - www.inforpress.cv Comentários (0)
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