| Cabo-verdiano atira jovem para linha de comboio em Lisboa |
| 12-Jan-2006 | |
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O homem que provocou a morte de Bruno Alexandre Leal, de 19 anos, filho do comandante dos Bombeiros Voluntários de Oeiras, empurrando-o, sem motivo, para a linha de comboio, em Belém, Lisboa, foi detido pela Judiciária graças às imagens registadas pelo sistema de videovigilância da estação.
Mas, segundo apurou o Correio da Manhã, a morte do rapaz, colhido por um comboio na segunda-feira à tarde, não é um caso isolado. No último mês, o detido, um cabo-verdiano de 33 anos, “desequilibrado”, segundo fonte da PJ, fez o mesmo na estação de Oeiras: empurrou uma mulher, que sobreviveu. Ainda causou distúrbios num comboio, no Cais de Sodré. Ontem à tarde, no adro da pequena capela de Leceira, em Barcarena, um estranho sentimento de “alívio” abriu caminho pelo meio da “revolta” que tomou conta dos amigos e familiares da vítima. “Nada pode trazer o Bruno de volta”, dizia a mãe, Cristina. “Mas pelo menos sabemos que este homem não fará o mesmo a mais ninguém”, acrescentava Diana, a madrasta de Bruno. De acordo com uma fonte da PJ, o homem agora detido terá regressado a Portugal há menos de dois meses, após uma ausência de quase um ano. Tem 33 anos, morava na zona da Outurela, em Oeiras, e, no último mês, terá estado envolvido noutros dois incidentes na Linha de Cascais: a queda de uma mulher para os carris, na estação de Oeiras, e distúrbios num comboio no Cais de Sodré. Desta vez, foi apanhado. Ao analisarem as imagens recolhidas pelo sistema de videovigilância da estação de Belém, os responsáveis da CP “estranharam” as circunstâncias da queda. Os investigadores da PJ foram chamados e concluíram não se tratar de suicídio nem de acidente. “Essas imagens foram determinantes para a investigação”, disse fonte policial. Ontem à tarde, enquanto familiares, amigos e colegas de Bruno Leal se reuniam na pequena capela de Leceira para velarem o corpo, o detido comparecia no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa. Ouvido por um juiz, recolheu à cadeia em prisão preventiva. A cadeira está vazia na sala Tiago costumava fazer a viagem de comboio com Bruno. “Todos os dias.” Na segunda-feira, estranhou que apenas uma linha estivesse a funcionar, até ouviu dizer que um rapaz tinha morrido, mas nunca pensou que fosse o seu amigo e colega no curso técnico-profissional de electricista. “É um grande choque. A cadeira dele está vazia na sala de aula, falta um para jogar às cartas.” São os sinais mais evidentes da ausência, mas há outros. Os amigos não voltarão a sentar-se com ele no jardim diante da capela. As funcionárias da secretaria do Centro Internacional de Formação da Indústria e Energia, por exemplo, não vão tornar a ver Bruno chegar, mãos nos bolsos, metido consigo mesmo, sempre simpático e acessível. Os responsáveis pelo estágio que frequentou há pouco tempo não voltarão a dar 18 em vinte valores ao rapaz. O coordenador Leonel Silva não irá escutar de novo a voz do “bom aluno”. Joaquim Franco, o padrasto, não irá ouvi-lo gritar quando o Benfica marcar golo. Dentro em breve, a mãe e o padrasto irão mudar-se para uma casa nova, maior, e onde Bruno teria o seu próprio quarto. Correio da Manhã - www.correiomanha.pt
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