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Cabo-verdianos e senegaleses têm barco português retido em Vigo
15-Nov-2007
Um barco de bandeira portuguesa está há dez dias retido no Porto de Vigo, na Galiza, por iniciativa de seis pescadores de nacionalidade cabo-verdiana e senegalesa que afirmam ter sido "enganados" pelo armador no pagamento da faina. Segundo Fernando Afonso, da Confederação Intersindical Galega, o patrão teria prometido pagar aos trabalhadores 800 euros por mês, mas, no final de três meses de faina, apenas lhes queria entregar 400 euros. "Estamos a falar de 400 euros pelos três meses, o que é uma coisa verdadeiramente inconcebível", criticou Fernando Afonso.

Os trabalhadores - dois cidadãos de Cabo Verde e quatro do Senegal - sentiram-se enganados e decidiram reter o barco, o "Bravo Aveiro" da empresa Farline, no Porto de Vigo, "até receberem o que lhes é devido".

De acordo com o sindicalista, o armador teria prometido que aqueles trabalhadores iriam pescar em águas africanas, mas, entretanto, levou-os para águas europeias, alegando que ali teriam "um contrato melhor". "Foi um logro autêntico", denunciou Fernando Afonso.

O sindicalista disse ainda que o contrato que o armador firmou com os seis homens "não tem qualquer valor legal", pelo que, neste momento, os trabalhadores encontram-se "abandonados à sua sorte, sem dinheiro, sem comida, sem contrato e sem possibilidades de regressarem aos seus países de origem".

Segundo Fernando Afonso, o armador prometeu que "poria todas as contas em dia" amanhã, pagando os 800 euros por cada mês de trabalho e disponibilizando os bilhetes para os seis pescadores poderem regressar a casa. "Vamos esperar para ver", acrescentou, garantindo que os sindicatos vão participar esta situação à Capitania e à Inspecção do Trabalho.

Nestes dez dias, os trabalhadores, que se encontram barricados no barco, "vivem em condições desumanas e já com falta de alimentos", acrescentou o sindicalista.

Agência Lusa - www.lusa.pt
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