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...

Cabo Verde é o país africano com menor incidência de Sida
01-Dez-2007

Cabo Verde é dos países de África com menor incidência de Sida, mas enquanto a tendência mundial é para um aumento da prevalência nas mulheres, nas ilhas os homens são ainda três vezes mais afectados do que as mulheres.

Nas ilhas, a taxa de prevalência do vírus mantém-se, nos últimos anos, nos 0,8 por cento, sendo que nas mulheres é de 0,4 por cento e nos homens de 1,1 por cento.

Outro fenómeno que «tem de ser estudado», segundo o secretário-executivo do Comité de Combate à Sida (CCS Sida), Artur Correia, é o facto de recentemente terem surgido casos de infecção pelo vírus em pessoas idosas.

Em declarações à Lusa, o responsável afirmou desconhecer ainda o porquê dessas contaminações, admitindo no entanto que possam estar relacionadas com casos de emigração.

Fugindo à tendência mundial, em Cabo Verde a prevalência do vírus da imunodeficiência humana (HIV) nas camadas jovens (15 aos 24 anos) é bastante baixa, não chegando a 0,5 por cento, sendo que a faixa etária mais afectada é a adulta, segundo o mesmo responsável.

Ainda assim, Cabo Verde tem uma situação muito invejável se comparado com o continente africano, onde a Sida é a principal causa de morte.

Actualmente, 300 pessoas estão a ser tratadas com medicamentos antiretovirais no país e assiste-se, desde o ano passado, a um decréscimo do número de mortes relacionadas com a Sida, segundo Artur Correia.

Até 2006 morriam em cada ano, devido à doença, cerca de 60 pessoas. No ano passado os casos de óbitos não chegaram a 50 e este ano a tendência é também para a descida, explicou o responsável.

O governo cabo-verdiano tem investido numa política de prevenção, com campanhas nos meios de comunicação social, mas também junto da população, e em Cabo Verde a distribuição de preservativos é gratuita em hospitais, centros de saúde e organizações não governamentais, embora a situação tenda a mudar.

«Cabo Verde não pode dar preservativos sempre. O preservativo não é um medicamento, não tem de ser encontrado só nos serviços de saúde», avisou.

Num inquérito recente, 79 por cento dos jovens interrogados declarou que pratica sexo com preservativo, uma percentagem que duplicou em quatro anos.

Segundo Artur Correia, em noventa por cento dos casos a transmissão acontece em relações heterossexuais. A incidência de casos entre homossexuais ou toxicodependentes é diminuta e em casos de transfusão de sangue é praticamente inexistente.

Os concelhos mais afectados são precisamente os três maiores concelhos, Praia, Mindelo, em S. Vicente, e Santa Catarina, na ilha de Santiago. Nos últimos anos, porém, houve «uma ruralização e feminização» da epidemia, no entender de Artur Correia pelo cada vez mais fácil diagnóstico, principalmente por parte das mulheres.

O governo, segundo a CCS Sida, está especialmente preocupado com as ilhas de maior afluência turística, como o Sal e mais recentemente Boa Vista, pelo que tem feito acções de formação e de sensibilização dirigidas a profissionais de turismo, estando em preparação outras, nomeadamente junto das crianças de rua.

Cabo Verde tem um Plano Nacional de Combate à Sida (2006-2010) que aposta também na prevenção vertical, garantindo que cerca de 80 por cento das grávidas têm acesso a meios de diagnóstico, sendo disponibilizados gratuitamente antiretrovirais para as grávidas seropositivas.

O primeiro caso de Sida detectado em Cabo Verde remonta a 1986, num paciente originário da ilha do Fogo. Desde essa data e até 2004 foram notificadas 1.489 infecções, das quais 800 pessoas contraíram a Sida e 426 morreram com a doença, segundo dados do governo.

Estudos feitos posteriormente indicaram uma prevalência do vírus que variou entre 0,46 por cento em 1989 e 1,13 por cento em 2002. Desde então desceu e estabilizou nos últimos anos nos 0,8 por cento.

De acordo com a análise dos casos conhecidos, segundo a CCS Sida, em 2005 a infecção com o HIV afectou particularmente as pessoas da faixa etária mais activa e economicamente rentável, 20 a 34 anos. Representa 62,8 por cento dos seropositivos e 51 por cento dos casos de Sida.

Os dois tipos de vírus circulam no país e as análises mostraram que em 2004, cerca de 72 por cento dos casos notificados eram o VIH1 e 22 por cento o VIH2.

Diário Digital / Lusa

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