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Amílcar Tavares.

...

Duplicação de cabo-verdianos deportados em 2007 preocupa IC
14-Nov-2007
O número de cabo-verdianos já deportados em 2007, registou um aumento para quase dobro, em relação ao ano passado. Uma situação que preocupa o presidente do Instituto das Comunidades (IC), Álvaro Apolo. O número subiu de 61deportados em 2006 para 117 registados este ano prestes a terminar, de acordo com os dados estatísticos do IC.

A maioria dos deportados cabo-verdianos é proveniente dos Estados Unidos da América (mais de 50 por cento). Logo a seguir vem Portugal com mais de 30 por cento dos deportados.

Este aumento de número de deportados, registado nos últimos anos, acontece mesmo depois das autoridades cabo-verdianas terem tentado inverter a situação junto dos governos de países que efectuam essas operações de repatriamento de cidadãos estrangeiros dos respectivos territórios.

A situação irregular é apontada como a causa principal da expulsão para Cabo Verde da maioria das pessoas deportadas.

O tráfego de droga e a violência, nomeadamente a doméstica, são também outras das razões apontadas para explicar o aumento do número de deportados que, segundo presidente do IC, «é um problema sério».

Álvaro Apolo manifestou-se «preocupado» com o aumento do número das pessoas que estão a ser repatriadas, durante um encontro com a imprensa no passado mês de Outubro para fazer o balanço das actividades e apresentar o programa de 2008.

O presidente do IC disse que «o Instituto tem feito o que pode nesta matéria». No entanto, disse esperar que, brevemente, o projecto ligado aos deportados passa para o ministério que tutela a área social.

«Esperamos que ainda este ano o projecto passa realmente para o ministério que tutela a área social, o que nós andamos a reivindicar há algum tempo», explicou Álvaro Apolo.

Recordando aquilo que tinha dito numa anterior entrevista sobre a deportação, o presidente do IC chamou a atenção para a ausência de sensibilidade por parte das autoridades de alguns países, nomeadamente Estados Unidos de América, que assumem tratar-se de «um problema exclusivamente cabo-verdiano».

Face à situação, o responsável do IC, alertou, que «se este problema incidia, na altura sobre pessoas oriundas dos Estados Unidos, dentro de poucos anos, com a nova legislação europeia, mais restrita, o mesmo vai suceder com cabo-verdianos que estão detidos em Portugal ou na França».

Só em Portugal, segundo números disponíveis no IC, há centenas de cabo-verdianos presos, essencialmente por crimes ligados ao tráfico de droga, que podem acabar, igualmente, deportados para Cabo Verde e enfrentar os mesmos problemas que afectam já as pessoas oriundas dos Estados Unidos.

O Instituto das Comunidades começou a desde 2003 a implementar vários projectos de reintegração social destas pessoas, começando com o levantamento sobre a situação em 2002.

Para isso, o IC criou Gabinetes de Apoio Personalizados (GAP) que já estão a funcionar em Mosteiros (ilha do Fogo) e na ilha da Brava, as duas ilhas com maior concentração de indivíduos repatriados dos Estados Unidos, embora esse número seja igualmente significativo na Praia (ilha de Santiago e capital do país).

Desde a década de 80 que Cabo Verde se debate com a questão da deportação, mas, até à década de 90, os deportados eram essencialmente oriundos da Europa, Portugal e França e com processos só, lateralmente, relacionados com a grande criminalidade. Na sua maioria, a expulsão dessas pessoas tinha a ver com falta de documentação.

A situação alterou-se de forma significativa há seis anos e com especial enfoque desde o 11 de Setembro de 2001, com os atentados contra as Torres Gémeas do World Trade Center de Nova Iorque, quando os Estados Unidos aumentaram os processos de deportação, atingindo a comunidade cabo-verdiana que se concentra, em grande parte, na área de Boston.

Inforpress - www.inforpress.cv
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