| Estudantes caboverdianos em São Paulo, Brasil, apresentam órgão representativo |
| 12-Set-2007 | |
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Com o gostinho da terra representada pela catchupa, danças, músicas e desfiles de trajes tradicionais, o grupo Movimento Práxis, composto por estudantes caboverdianos do estado de São Paulo, que hoje conta com cerca de 200 integrantes, reuniram-se no sábado 8 de setembro, na sede da Associação Caboverdiana do Brasil, para apresentar o projeto de União dos Estudantes Caboverdianos no Estado de São Paulo (UECESP), sob o lema “Indiferenssa nunka más”.
Práxis – um caminho para chegar à verdade - é um conceito que surgiu na Grécia antiga com Aristóteles e que mais recentemente foi resgatado por Karl Marx em seu socialismo. Com Marx a expressão continua sendo um critério para chegar à verdade, mas de uma forma diferente, saindo da ideologia para a prática. E é isso que o Movimento busca. “Fazer acontecer, materializar. Todo mundo quer uma justiça social, mas quem aplica isso no seu cotidiano?” pergunta Déni Valter dos Santos Mendes, um dos membros do Movimento. A iniciativa partiu de um grupo de estudantes que compartilham da idéia de que é necessária a criação de um órgão representativo dos estudantes no Estado de São Paulo, que seja forte, duradouro e que possa ser sequencial, estimulando o senso crítico dos estudantes que residem no estado atualmente e das gerações vindouras. De acordo com Déni, o principal objetivo do grupo é reunir e integrar os estudantes. “Quando elaboramos esse sonho, nós balançamos um pouco, mas hoje, ao ver o grupo reunido, eu chego à conclusão que o movimento estudantil caboverdiano é forte, coeso e unido” confessa. Pode parecer apenas uma união local, mas Déni sonha a longo prazo. “A nossa finalidade é formar uma nova estrutura para levarmos para Cabo Verde, com o intuito de não precisarmos mais sair do nosso país para trabalhar, estudar e na maioria das vezes para sobreviver. Podemos sair sim, mas para conhecer”, explica. O estudante pretende que a semente desse espírito crítico semeado hoje possa colher nobres frutos no futuro da nação. Apesar de estar concluindo a pós-graduação e em breve estar de malas prontas para voltar para Cabo Verde, Miguel Silva faz questão de ser uma das cabeças do grupo. Ele acredita que a parte fundamental para alavancar qualquer iniciativa é a base, por isso que nesse momento ele se une ao grupo. Em vez de associação o movimento pretende chamar o grupo de "União", pois, segundo Marco Silva, também membro do Movimento, com essa nomenclatura os estudantes residentes em São Paulo sentirão mais a vontade para participar, e o grupo fica mais compacto e consequentemente diferente. ANIMAÇÃO O evento foi animado pelos grupos musicais Sarabudja e Djagacida. Ambos fizeram os presentes se sentirem em casa. Composto por caboverdianos e um brasileiro, Sarabudja mistura ritmos de Cabo Verde e Brasil, fazendo “rapsódias” que arrancaram aplausos dos presentes. Mas, o levantar das cadeiras em direção a pista de dança só se massificou com a incorporação de um tambor em ritmo do “colá-sanjôn”. Brasileiros, caboverdianos e filhos de caboverdianos residentes no Brasil, formaram o grupo Djagacida que manteve os presentes na pista com as músicas de “Boas Festas” caboverdianas. Com trajes representativos de cada uma das ilhas, beldades do país desfilaram com a simpatia, rebolado e alegria singular das “verdianinhas”. A tarde cultural, que contou com a presença de cerca de 200 pessoas, teve apoio de Engeobra S/A de Cabo Verde, Numatur Viagens e Turismo, Consulado Honorário de Cabo Verde em São Paulo, Ana Mendes e a Associação Caboverdiana do Brasil. PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO CABOVERDIANA RECEBE HOMENAGEM O Movimento emitiu seu primeiro certificado em homenagem a Associação dos Emigrantes Caboverdianos de Santo André, representada pelo presidente José Augusto do Rosário. O gesto simboliza a gratidão do grupo ao apoio da Associação concedida ao Movimento e a todos os estudantes caboverdianos, em geral, por meio das várias portas abertas após a geminação com o município de Santo André e parceria feita com a Universidade Fundação Santo André. José Augusto apóia e se dedica a Cabo Verde através da Associação dos Emigrantes desde 1978, e pela primeira vez é reverenciado por isso. Apesar de feliz, o homenageado deixa claro que o trabalho que a Associação vem fazendo não é pensando em nenhum retorno pessoal ou para a Associação. “Fazemos porque gostamos de Cabo Verde”. Pela criação de uma "União", José Augusto parabenizou a iniciativa e capacidade de mobilização dos estudantes. Entretanto, pelas caminhadas que ele percorreu para manter a Associação, deixou claro que não é fácil. Mas, nota-se que ele não desacredita no que vê através dos seguintes questionamentos: “o que é difícil para o caboverdiano que atravessou as secas e sobreviveu? O que é difícil para um povo que viveu 515 anos de colonização se manteve firme? O que é dificuldade para o caboverdiano que viveu muitos anos longe do seu país, cavando terra para construir um espaço onde a associação pudesse ser construída?”. Apesar de satisfeito com a iniciativa, José Augusto cobrou de todos os presentes. “Eu quero ver de vocês todos 'indiferenssa nunka mas', pois quem constrói uma associação não é só a diretora, são todos”. Com experiência acumulada, ele mostra que dentro de uma associação não pode haver partido político nem bairrismo. “Uma associação é feita para agregar pessoas, não para dividir”, finaliza. Mundo Lusíada - www.mundolusiada.com.br Comentários (0)
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