| Estudo: mais de cinco mil crianças e adolescentes são órfãos |
| 28-Dez-2005 | |
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Mais de cinco mil crianças e adolescentes com idade entre os 0 e 18 anos em Cabo Verde, são órfãos, revela um estudo do Instituto Cabo-verdiano de Solidariedade (ICS), hoje divulgado na Praia.
Os dados obtidos revelam, que a maioria (mais de 70 por cento) dos inquiridos são órfãos de pai, o que faz com que toda a responsabilidade recai sobre a mãe. O estudo, realizado entre Novembro de 2004 a Junho de 2005 mostra, também que os avós e alguns tios cuidam dos órfãos por causa da relação familiar que lhes une. Em termos de condições para proporcionar uma educação e um crescimento sã às referidas crianças, o estudo refere que as famílias passam por “enormes dificuldades” devido aos problemas económicos. “Há uma tendência razoável de órfãs que passaram pela escola e depois ficaram fora do sistema educativo. Seis por cento dessas crianças nunca foram a escola. Um reflexo da precariedade que impede que esses órfãos tenham o direito a educação”, lê-se no estudo ora apresentado. Mas o estudo - cujos resultados a nível nacional se referem também a 58 órfãs portadoras do VIH/Sida, das 5 mil existentes em Cabo Verde -, permitiu igualmente detectar que existe um número de 300 casos de deficientes no país. Em relação aos demais órfãos portadores do HIV/Sida, cujos dados foram no entanto difíceis de se obter, o coordenador do projecto considera que poderá não traduzir a realidade do país, porquanto, o mesmo admite que poderá ser muito mais, atendendo que em 2002 um diagnóstico apontava para cerca de 60 casos. Orlando Borja justificou o facto de não se ter conseguido obter dados reais dos órfãos portadores do HIV/Sida em Cabo Verde, por “falta de colaboração e um trabalho de maior interligação entre as instituições do pais”. Todavia, o estudo sustenta, que apesar de “muitas dificuldades” conseguiu-se obter alguns dados sobre os órfãos portadores do HIV/Sida porque vivem com as famílias. O trabalho em questão, financiado pela Comissão de Combate a Sida (CCS/Sida), indica, por outro lado, que as órfãs deficientes em número de 300, são as que estão numa situação mais difícil, porque, além de terem perdido um familiar, pertencem a uma família pobre. Este facto vem “complicar muito mais a situação”, já que o país não dispõe de uma educação especial para acompanhar essas crianças e a própria família não tem capacidade necessária para lidar com determinados tipos de deficiências, revela o mesmo documento. Estribando-se em todos esses dados, o estudo recomenda “um trabalho sério para não se chegar a uma situação de crise social”, a exemplo do que aconteceu em outros países. Para evitar esta situação, o coordenador do projecto aconselhou as autoridades a apostarem na prevenção junto das famílias, das comunidades e de toda sociedade. Esse responsável aconselha igualmente um trabalho de parceria e colaboração estreita entre as instituições para que as crianças órfãs portadoras do Sida não venham a cair numa situação de limitação e exclusão social. Por último, o estudo recomenda ainda a necessidade de se aumentar os investimentos em estruturas que trabalham com os órfãos com Sida, justificando, que uma doença como HIV/Sida exige recursos e reorganização para que se possa almejar resultados positivos. Inforpress - www.inforpress.cv
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