| Investigadores estudam relação da miscigenação com obesidade e hipertensão |
| 02-Out-2007 | |
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Investigadores da Universidade do Porto iniciam em Novembro em Cabo Verde um estudo que visa verificar se existe relação entre a miscigenação e doenças cardiovasculares como a obesidade e a hipertensão arterial, foi hoje anunciado.
A investigação, que se prolongará por três anos, vai ser realizada pelos institutos de Patologia e Imunologia Molecular (Ipatimup) e de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto, em colaboração com a Universidade de Cabo Verde. O coordenador do estudo, professor Espiga de Macedo, disse à agência Lusa que "a hipótese teórica já existe há muito tempo", mas não tinha havido ainda condições para se realizar um estudo aprofundado que confirmasse, ou não, a relação. Espiga de Macedo salientou que a realização do estudo em Cabo Verde "é uma condição especial", atendendo aos elevados níveis de consanguinidade entre pessoas de raça negra e branca que estão na origem da população cabo-verdiana. Segundo o Ipatimup e o IBMC, a obesidade e a hipertensão arterial não só "estão a atingir frequências alarmantes nos países desenvolvidos, como também estão a sofrer um aumento progressivo nos países em desenvolvimento, à medida que estes vão adoptando um estilo de vida mais ocidental". "Estas doenças tendem a ser especialmente frequentes em populações de ascendência africana que vivem em países industrializados, sugerindo que existem factores de risco hereditários para o seu desenvolvimento especialmente naquelas populações", salientam os autores do estudo. Os investigadores referem que a maior prevalência de obesidade e hipertensão arterial na população portuguesa se verifica nas bacias dos rios mais a sul de Portugal (Tejo, Sado e Guadiana), o que "poderá ser consequência da existência de uma influência africana histórica marcada nessas populações". O estudo vai começar com a recolha de amostras de DNA de 2.000 residentes nas seis ilhas mais povoadas de Cabo Verde, de mil emigrantes de ascendência cabo-verdiana em Portugal e de 500 portugueses das bacias do Tejo, Sado e Guadiana. "Dentro de um ano já teremos os primeiros resultados", afirmou Espiga de Macedo, explicando que serão estudados, "de preferência, obesos e hipertensos". A recolha de amostras será acompanhada de medições objectivas de indicadores da obesidade e hipertensão de cada dador, a que seguirá a avaliação dos níveis de miscigenação utilizando uma bateria de 40 marcadores informativos para ancestralidade. Esta investigação é financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e pela farmacêutica sanofi-aventis. Agência Lusa - www.lusa.pt Comentários (0)
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