| Lei proíbe “matar fome” a estudantes cabo-verdianos em Viseu, Portugal |
| 05-Nov-2007 | |
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Os jovens dos PALOP que estão a estudar no Instituto Politécnico de Viseu (IPV), e que dizem passar fome e frio, não culpam ninguém, nem mesmo o país de onde vieram, Cabo Verde. Pedem, apenas, alguma “boa vontade”, para que seja ultrapassada uma lei que os proíbe de se candidatarem a bolsas e alojamento nas residências do politécnico.
Confrontados com este pedido os responsáveis do Serviços de Acção Social do Instituto Politécnico de Viseu (SASIPV) dizem que “os apoios sociais não se fundamentam em actuações de boa vontade, mas em regulamentos governamentais, que definem rigorosamente o campo de actuação, incorrendo em ilegalidades se assumirem responsabilidades para com os estudantes sem o respectivo quadro legal”. Num comunicado, de onze pontos, dizem ainda que apoiam no que podem os estudantes dos PALOP, “contratando alguns desses alunos, tal como nacionais, para actividades a desenvolver nos refeitórios, recebendo estes a refeição e uma contrapartida financeira”. Referem, ainda, que sempre disponibilizaram as cantinas para eventos realizados pelos estudantes africanos. Ao alojamento nas residências, que estão cheias, também não se podem candidatar porque não são estudantes do espaço comunitário nem são bolseiros. A situação precária em que vivem muitos estudantes dos PALOP, em Viseu, conhecida por alguns, foi realçada quando um aluno ultrapassou a vergonha e pediu a uma professora que lhe pagasse pão e leite num supermercado. Carlos Alves, de 29 anos, estudante de Marketing na Escola Superior de Tecnologia do IPV, contou à Lusa que muitos vestem-se com a “caridade de colegas e professores” e da Caritas de Viseu, que lhes vai entregando roupas e alimentos. Lamentam, ainda, não ser possível trabalhar em part–time, porque a lei o impede e o risco de se serem descobertos é grande, impedido assim a possibilidade de juntarem algum dinheiro. Para ajudar alguns destes alunos foi aberta uma conta bancária onde professores e muitos colegas depositam dinheiro que depois é distribuído em função das necessidades. Com a realização de refeições típicas dos seus países, na cantina do IPV, procuram também arranjar algum dinheiro. O presidente do IPV, João Pedro Barros, que diz conhecer a situação, afirma estar de “mãos atadas”. Sabe de casos, em que “alunas já admitiram poder recorrer à prostituição”, mas sublinha não haver forma de contornar o impedimento de dar apoio aos alunos do PALOP. Garante que é um problema nacional e que a excepção do Instituto Politécnico de Leiria foi conseguida através da celebração de acordos especiais com o Governo, situação pela qual o IPV também está a lutar”. Diário as Beiras - www.asbeiras.pt Comentários (0)
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