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Atentamente,

Amílcar Tavares.

...

Lisboa: Música, artesanato, comida e um mar de gente na festa dos 32 anos independência
09-Jul-2007
Música, artesanato, jogos tradicionais, comida e doçaria típica cabo-verdiana e um mar de gente era o cenário que se encontrava ao chegar à Cidade Universitária, em Lisboa, onde estava a começar o Festival Nôs Tradison. Música, artesanato, jogos tradicionais, comida e doçaria típica cabo-verdiana e um mar de gente era o cenário que se encontrava ao chegar à Cidade Universitária, em Lisboa, onde estava a começar o Festival Nôs Tradison.

Organizado pela Federação das Organizações Cabo-verdianas em Portugal, o festival pretende assinalar os 32 anos da independência de Cabo Verde e, simultaneamente, o dia do trabalhador imigrante.

Sessenta minutos depois da hora marcada para o início do espectáculo já estavam na Cidade Universitária cerca de mil pessoas, maioritariamente cabo-verdianos, mas também muitos portugueses e de outros Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), e muitas continuavam a chegar.

A famosa cachupa, arroz de feijão com frango frito, pastéis de batata doce, bolo de mandioca, doce de leite e de coco, cerveja de malta e aguardente de cana eram algumas das iguarias que se podiam provar nas barraquinhas de "comes e bebes" instaladas na cidade universitária.

À espera do início do espectáculo, que estava atrasado, estavam as amigas Carla Mendes e Helena Andrade, ambas jovens cabo-verdianas, que foram ao festival "dispostas a divertir-se muito", "conviver com a comunidade" e assinalar a independência do seu país.

"É uma data extremamente importante. Foram muitos anos a sermos governados por outros países. Finalmente somos livres", sublinharam as jovens, que não passaram por essa experiência.

O mesmo já não pode dizer Domingas Fortes, imigrante em Portugal há 14 anos, que se lembra do tempo de "muita exploração" e não hesita em dizer que "a independência trouxe muita liberdade, sobretudo para as mulheres, e mais qualidade de vida para todos".

Uma jovem portuguesa que estava com uma amiga cabo-verdiana justificou a presença de muitos portugueses na festa cabo-verdiana com as misturas étnicas.

"Acaba por alargar os nossos horizontes a outro tipo de espectáculos, músicas e culturas", afirmou Ana Sofia Machado.

Da mesma opinião é Rita Taquelim, uma portuguesa que é "cabo-verdiana de coração" e pretende ir "viver para a ilha de S. Vicente".

"O meu caminho é ir para lá. Ainda não tenho perspectivas de quando, mas sei que vou", disse à Lusa, adiantando que irá exercer trabalho na sua área: educação e acção social.

Sentado numa cadeira estava, porventura o espectador mais antigo do festival: José Esteves, de 83 anos, que foi sozinho à festa por "morar ali ao lado".

"Gosto muito, muito, muito desta música. Estive muito tempo em África e fiquei a gostar de tudo o que se relacione com aquele continente", disse José Esteves, prometeu dar um passo de dança.

Em declarações à Lusa, Rui Machado, da Federação das Organizações Cabo-verdianas em Portugal (FOCV), disse que o Festival Nôs Tradison estava a "ser um êxito" e que era para continuar.

"Vários patrocinadores já se mostraram interessados em repetir", acrescentou.

Satisfeitos por muitos portugueses e originários dos outros PALOP terem aderido ao festival, o responsável apenas lamentou o festival ter de acabar às 20:00, mas explicou que "foi assim o combinado com a Aula Magna para não prejudicar um espectáculo que vão dar hoje".

Disse ainda que o ministro da Cultura cabo-verdiana, Manuel Veiga, e o embaixador de Cabo Verde em Portugal, Arnaldo Andrade Ramos, tinham estado de manhã na cidade universitária para visitar o local da festa.

A comunidade cabo-verdiana é a maior entre os PALOP a residir em Portugal com cerca de 120 mil cabo-verdianos, entre legalizados e em situação irregular, de acordo com a Federação.

Pelo palco montado na Cidade Universitária, coube aos Ferro Gaita abrir as hostes, seguindo-se Gilyto, Suzanna Lubrano, Nelson Freitas, Eddu, Niga Poison e Dj Lucky.

E assim que se ouviram as primeiras notas, o jovem de espírito José Esteves levantou-se e começou a dançar.

Agência Lusa - www.lusa.pt
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