| Portugal a pão e bolos faz "crescer" comunidade lusa em Cabo Verde |
| 26-Set-2007 | |
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Dois portugueses abriram há um ano uma padaria/pastelaria na Cidade da Praia que hoje emprega 30 pessoas e é uma referência na capital cabo-verdiana.
Ainda que o número de portugueses expatriados seja diminuto em Cabo Verde, menos de um milhar, alguns tornaram-se conhecidos pelo tipo de negócios que desenvolveram mas o nome "Pão quente" é um dos mais famosos não só na Ilha de Santiago mas também noutras do Arquipélago. "Ao fim de três meses de abrirmos, coloquei-me em pontos distintos da Praia e pedi a taxistas que me levassem ao Pão Quente, todos sabiam". Vitaliano Correia testou assim a popularidade do estabelecimento que "mudou os roteiros" do centro da cidade. Professor de artes visuais, Vitaliano aproveitou umas férias da Páscoa de 2005 para, com um amigo, fazer uma prospecção de mercado na Praia e, nas férias de Verão desse ano, regressou para procurar um local para criar o "seu" comércio. A 15 de Julho do ano passado abriu a pastelaria e padaria, um estabelecimento tipicamente português, dos queques aos pastéis de nata, do pão ao bacalhau à Braz e ao caldo verde, servidos à hora de almoço. "Foi um sucesso imediato", disse à Lusa, o que se comprova com a constante afluência e os milhares de pães vendidos em cada dia, sendo que os fornos para os fazer estão ligados "24 horas por dia". Em breve o "Pão Quente" vai estar também noutro local da capital, sendo que a fórmula é a mesma: sabores portugueses para cabo-verdianos mas também para muitos estrangeiros (incluindo naturalmente de Portugal). O próprio Presidente da República, Pedro Pires, já fez questão de ir conhecer o local. Com 30 empregados, 27 deles cabo-verdianos, Vitaliano Correia não quer dizer o volume diário de vendas mas garante que serão superiores a qualquer casa idêntica em Portugal. A comunidade portuguesa em Cabo Verde é pequena. O número de portugueses inscritos nos consulados ronda os 9.000, a maior parte, 6.500, na Cidade da Praia e os restantes 2.500 no Mindelo, a segunda cidade do Arquipélago. Destes, a esmagadora maioria, mais de 8.000, são luso-cabo-verdianos e os restantes, menos de um milhar, cidadãos portugueses, também concentrados nas duas cidades, que trabalham em sectores como a banca, a construção civil ou o ensino, entre outros. Do pequeno grupo de expatriados portugueses em Cabo Verde fazem parte funcionários de representações oficiais e cooperantes mas também quadros de empresas portuguesas no país, tendo maior visibilidade o sector da banca e das construção civil. A Caixa Geral de Depósitos, o Montepio Geral, o BPN, o BCI, a Caixa Agrícola ou o Banif estão representados em Cabo Verde e têm funcionários portugueses, bem como empresas de construção e obras públicas, nomeadamente os grupos Cimpor, MSF, Armando Cunha, Monte Adriano, Opca ou Somague. Na área das telecomunicações há funcionários portugueses da PT e da PT Contacto mas também a EDP e a GALP estão representadas nas ilhas. No sector do Ensino, está em Cabo Verde o Instituto Jean Piaget e a Universidade Lusófona, e na hotelaria os grupos Pestana e Oásis. A comunidade portuguesa em Cabo Verde é ainda composta por alguns trabalhadores do comércio automóvel, do grupo Salvador Caetano, e por pequenos e médios empresários, que investiram no país em áreas tão diversas como a restauração, imobiliária, materiais de construção, distribuição e comércio, informática ou publicidade. Os portugueses com dupla nacionalidade adquiriram esse estatuto ao abrigo de um decreto-lei (308-A/75) de Junho de 1975 ou então em anos posteriores, nomeadamente devido à emigração para Portugal. Neste caso a maioria dos detentores de dupla nacionalidade são das Ilhas de Santiago e São Vicente, onde desde sempre houve maior tradição de emigração para Portugal. Habitantes do Fogo e da Brava com dupla nacionalidade são mais raros, já que destas Ilhas se emigrou quase sempre para os Estados Unidos. Agência Lusa - www.lusa.pt Comentários (0)
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