| Surdos exigem uma educação especial para os “diferentes” |
| 04-Ago-2007 | |
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A política de inclusão escolar por uma promoção de educação para todos apesar de “perfeita” para a integração das crianças no sector educativo, exclui de “discurso a prática”, os portadores de necessidades especiais, neste caso, os surdos.
A constatação feita pelos formandos dos diversos concelhos de Cabo Verde faz parte de um conjunto de recomendações saídas do encontro que vinha decorrendo na Praia, e que visou uma maior inclusão por forma a não submeter e nem oprimir os surdos a um processo educacional que o expõe ao fracasso, tendo em conta a sua condição de diferença em relação aos outros. Neste contexto, foi entregue, segunda-feira, ao presidente da Assembleia Nacional (AN), uma petição onde pais, professores e crianças surdas exigem uma escola especializada para a resolução dos seus problemas. Na petição foi pedido maior respeito aos direitos do surdo em Cabo Verde. “Com isso, solicitou-se a criação de uma escola nacional para educação de surdos, criação de recursos para maior respostas no que respeita a educação, formação e integração”, explicou à Inforpress a presidente da Associação de Apoio ao Desenvolvimento e Integração da Criança Deficiente (AADICD), Maria Alice Figueiredo Aguiar. Por sua vez, a representante da Associação Portuguesa de Surdos (APS), Marta Morgado, que conseguiu dinamizar os participantes para um maior engajamento das crianças surdas no sistema educativo, sublinhou a necessidade de uma escola especializada e uma maior interacção junto da comunidade surda. Para isso foi criado um grupo que irá fazer um levantamento nos seus respectivos concelhos, de números de surdos existentes e que não frequentam escola por forma a se organizar uma Associação de Surdos de Cabo Verde. “A partir daí, poderão organizar-se para lutar para os seus direitos e exigirem do Governo uma escola especializada. Se isso acontecer, terão todo o apoio da APS e do Instituto Jacob”, garantiu, informando que se encontra em Portugal, quatro pessoas, a fazer formação de formadores para a língua gestual. Além desta cooperação, surgiu, durante o encontro, a oportunidade de dois jovens surdos deslocarem-se à Portugal para aprender de perto como funciona um movimento associativo e depois poder dinamizar a associação que vão criar futuramente. Apesar da AADICD, ter vindo a contribuir para uma maior integração das crianças surdas na sociedade cabo-verdiana, Marta Morgado é de opinião que isso não basta, pois, segundo ela, os surdos necessitam de uma associação própria para resolver os seus problemas diferenciais. Inforpress - www.inforpress.cv Comentários (0)
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