Esqueceu a senha? Registe-se aqui
  • Narrow screen resolution
  • Wide screen resolution
  • Auto width resolution
  • Increase font size
  • Decrease font size
  • Default font size
  • default color
  • red color
  • green color

VozDiPovo-Online .::. Cabo Verde e o Mundo

Tuesday
Dec 02nd
Capa arrow Sociedade arrow Violência doméstica: uma realidade “comum” mas escondida
FPSS slide image

VDP-OL em reformulação

Caro visitante,

Estamos em processo de remodelação e reformulação. Esperamos ser breves.

Atentamente,

Amílcar Tavares.

...

Violência doméstica: uma realidade “comum” mas escondida
30-Abr-2006
A violência doméstica contra as mulheres é uma realidade “comum” em Cabo Verde e uma prática “socialmente aceite”, apesar de constituir um crime à luz do Código de Processo Penal, que entrou em vigor há menos de um ano.

Os números escondem-se na privacidade dos lares e ninguém conhece a verdadeira dimensão de um fenómeno que, segundo o Instituto da Condição Feminina (ICF), “leva ao desequilíbrio inúmeras famílias” e coloca as mulheres e filhos numa “situação de medo e insegurança”.

É por ter consciência deste quadro, que, desde o início da semana, o ICF desenvolve uma formação em Técnicas de Apoio às Vítimas, com o objectivo de melhorar o atendimento prestado pelos gabinetes e instituições de apoio.

Trata-se de mais uma acção dentro de uma série de medidas, baseadas em parcerias estratégicas entre as instituições, públicas, privadas e da sociedade civil, com o objectivo de melhorar as respostas já dadas às vítimas, como explica a presidente do ICF, Cláudia Rodrigues, e para que se quebre um círculo viciado por ideias que ainda subsistem.

Ideias como a que a escritora Dina Salústio denuncia de que o direito a bater é “uma prática socialmente aceite no país, tanto pelo homem como pela mulher”, e que geralmente “é utilizada como um recurso educativo e pedagógico, portanto, legitimadora do poder do adulto”.

Conhecer do problema, o governo de José Maria Neves decidiu, neste seu segundo mandato, criar mecanismos que melhorem a luta contra a violência doméstica, por considerar que o fenómeno “está a ganhar proporções preocupantes no arquipélago”. Em Março, mês dedicado às mulheres, o primeiro-ministro anunciou a criação do Instituto para a Igualdade e Equidade de Género que substituirá o ICF, a trabalhar desde 1994, colocando o problema da violência doméstica no topo das preocupações deste organismo.

Já em curso está um projecto conjunto do ICF e do Ministério da Justiça com vista à elaboração de uma Estratégia Nacional de Combate à Violência, baseada no género, que será financiada pelo Banco Mundial.

Neste momento, encontra-se aberto o concurso para recrutamento de consultores que vão fazer um estudo/diagnóstico da situação, para se saber ao certo qual a verdadeira dimensão do fenómeno, e a partir daí elaborar a estratégica que terá uma envolvência multi-sectorial.

É que um dos problemas que se observa é a falta de articulação entre os vários organismos que actualmente lidam com o problema e que abarcam, desde o ICF à Associação de Mulheres Juristas, que tem ajudado as vítimas a agir judicialmente contra os agressores, passando por outras associações de promoção dos direitos das mulheres existentes no país.

A prova de que a violência doméstica está na agenda política e social são as inúmeras iniciativas que vão tomando lugar, embora ainda sem grandes resultados práticos que quebrem uma corrente, em que as mulheres continuam a ser o elo mais fraco.

Para além das denúncias feitas pelos e nos órgãos de comunicação social, está a decorrer na rede Vinti4, espaço gerido pela Tudo Directo, uma campanha sobre a Violência com Base no Género com o objectivo de sensibilizar as vítimas de violência em casa a “quebrar o silêncio e procurar ajuda e apoio”.

Esta campanha, promovida pelo ICF, é patrocinada pelo Ministério da Saúde, Delegação de Saúde da Praia e a UNFPA, agência das Nações Unidas para o apoio à família e população.

POP desenvolve primeiro estudo sobre violência contra as mulheres

Há menos de um ano, que a violência doméstica é considerada crime em Cabo Verde, punível com penas de prisão que podem ir de dois a 13 anos, consoante a agressão, mas poucas vítimas interiorizaram o direito à queixa. O anterior código português, em vigor desde 1929, apenas tipificava o crime genérico de agressões corporais.

Apesar do avanço jurídico e de “o governo e a sociedade civil encorajarem as mulheres a denunciarem ofensas criminosas”, tais como os maus-tratos e a violação por parte dos cônjuges ou companheiros, “valores sociais e culturais de longa data impediram as vítimas de o fazer”.

Isso mesmo se pode ler no relatório dos direitos humanos, publicado pelo Departamento de Estado norte-americano, relativo ao ano de 2005, que se refere à violência contra as mulheres, incluindo o “espancamento das esposas”, como uma prática “comum”.

Para além de as queixas apresentadas reflectirem apenas a ponta do icebergue, muitas das vítimas são coagidas pelos companheiros e pela família a desistir da queixa e poucos são os processos que acabam em condenação do agressor.

Um problema agravado pela morosidade dos processos, o que tem motivado algumas organizações, como a Associação de Mulheres Juristas, a baterem-se pela criação de um tribunal de família.

O único estudo estatístico efectuado até hoje, em Cabo Verde, sobre a violência contra as mulheres, que está a ser desenvolvido pelo Comando Regional da Praia da Polícia de Ordem Pública (POP), sustenta a constatação do departamento de Estado norte-americano de que as vítimas têm relutância em apresentar queixa.

Das 453 queixas apresentadas por mulheres (incluindo menores de idade), desde o início do ano até ao dia 25 de Abril, apenas dois casos estavam tipificados como “violência conjugal”.

Consciente de que esta percentagem “residual” não espelha a realidade, o Comando Regional da POP está a estudar o redimensionamento do gabinete de apoio à vítima, que funciona num espaço contíguo ao serviço de urgência geral do Hospital Agostinho Neto.

Segundo o sub-comissário Manuel Correia Cabral, autor do estudo estatístico sobre a violência, a ideia é “reabilitar o gabinete já existente” e criar extensões em todas as unidades de polícia e ao posto móvel para que “cada esquadra tenha um elemento preparado para trabalhar com vítimas de violência doméstica”.

Serão afectos a este serviço agentes mulheres para facilitar o diálogo com as vítimas, criando um ambiente favorável para que não se refugiem no silêncio, como geralmente sucede, e denunciem os maus-tratos.

Um dado curioso do estudo sobre a violência desenvolvido pelo sub-comissário Correia Cabral é a grande incidência de actos de agressão cometidos contra mulheres jovens. O estudo distribui as 453 queixas de agressão apresentadas por três faixas etárias, dos 11 aos 28 anos (64 por cento dos casos), dos 28 aos 43 (30 por cento) e dos 43 aos 70 (cinco por cento).

A grande maioria dos casos vitimou mulheres dos 11 anos de idade aos 28, o que significa que o fenómeno da violência tem particular preponderância entre os mais jovens, o que obriga à definição de estratégias com vista à alteração de padrões comportamentais.

A cartografia da violência contra a mulher na cidade da Praia “é ampla”, segundo a POP, uma vez que abarca toda a área urbana, com menor incidência nas zonas periféricas. Os principais focos de violência contra as mulheres localizam-se em Achada de Santo António, Achadinha, Fazenda e Palmarejo, Tira-Chapéu, Várzea, Paiol, Achada Grande Frente, Eugénio Lima e Calabaceira.

Porém, merece destaque (Achada de Santo António, Achadinha, Fazenda, Palmarejo e Tira Chapéu) como “localidades onde as participações foram mais intensivas”.

Foram considerados neste estudo as queixas por “sofrimento físico, sexual, psicológico, ameaças, privação de liberdade, assédio sexual e outros”.

Por Isabel Costa Bordalo da Agência Inforpress - www.inforpress.cv

Comentários (1)Add Comment

A VozDiPovo-Online quer saber a sua opinião sobre esta notícia. Comente
Os comentários são escrutinados, sendo excluí­dos todos os conteúdos racistas, xenófobos, difamatórios e atentatórios da boa imagem dos visados. Antes de deixar o seu comentário, registe-se aqui. É rápido e gratuito. Se já está registado, clique na "Área do Membro" situada no topo desta página.

busy
 
CAN 2008

Inquérito

Novo embaixador pediu "mais contenção" em relação a Luanda
 

Saiba mais...

Conferência de Bali
Eleições nos EUA
CV - EU
Guiné-Bissau
Darfur
o mapa das ditaduras pelo mundo

RSS Zone

RSS
RSS FeedBurner

CABO VERDE »»

Cabo Verde

SELECÇÃO NACIONAL »»

Selecção Nacional

GIGAVOZ »»

GigaVoz

OPINIÃO FORMADA »»

Opinião Formada

SUDOKU »»

Sudoku