Voz do Leitor
O Dia da Criança e As Antipatias da Bell: Imago em 1 A 4 | O Dia da Criança e As Antipatias da Bell: Imago em 1 A 4 |
| 02-Jun-2006 | |
Hoje é um dia magnífico. A minha criancice fez-me recordar o meu falecido cãozinho, esses pequeninos, queridinhos e inteligentíssimos, de nome Vírgula porque parecia com este sinal de pontuação. O seu virgular era tão certeiro que conhecia direitinho o ronco, a buzina do meu starlet, o clin-clin do meu chaveiro, o perfume masculino e feminino, quem subia e quem descia na nossa caixa de escada, a hora do almoço, do noticiário e da novela, enfim era uma pessoa de respeito e de pleno direito em casa. Farejava e concluía logo se se tratava de familiares ou de gente amiga em visita.Igualmente acontece com a Bell, a nossa cedelinha, "rotxutxuzinha" de cabelo "bazado" que nem actriz de novela, mas "runhinha" quando se sente vexada, sendo capaz de maltratar e bem qualquer gafo de olho vivo, incluindo o que tentou brincar com a cara limpa do seu dono enquanto este discursava no plenário da Assembleia Nacional, justamente no dia em que o "Mpdéca Lopes da Veiga" buscava encontrar energia de graça para reactivar a máquina de desoxidar e de soldar remendando os inúmeros rombos abertos na sua caserna em resultado dos bons efeitos dos tiros saídos pela culatra da difamação, arma dirigida conta as instituições da república e contra o prestígio de todos nós e das ilhas dentro e fora do nosso céu. Mas eu vinha falando dos meus animais de estimação. Sim, da airosa Bell que, apesar do seu focinho achatado, é tão linda que existem muitas fotografias coloridas no álbum, inclusivamente dela a banhar-se com gel e de pêlo no secador. Ela é tão fofa, gira, asseada e educada. Descansa ou dorme em cima do seu tapete e só mija nas folhas do jornal estendidas no quintalzinho, entrementes não aceita mijar no Horizonte, no Semana, no Artiletra e em revistas. Fá-lo fora. Se por causas políticas ou por aversão ao conteúdo não sei. Ela só mija no panfletário da praça. Hoje, dia da criança, brincava com ela e num dado momento transmitiu-me o seguinte: "O cacófago, esse bicho escuro que habita a fossinha onde o desprezo por todos nós se adensa, esse que anda acocorado a "sotófragar" as pessoas de bem para as ridicularizar publicamente, esse que é pago para ser gafo, não sabe que me diferencio dele pela educação e o respeito que tenho por mim. Respeito é uma palavra chã, uma palavra lavada de toda a sujidade, da lama, da porcaria etc. É uma palavra íntima, amiga e exaltante. É uma palavra mais do que as outras, porque ela é minha, é tua e de todos os que sentem e sabem a sua forte significação". Vejam lá vocês o que não sabe a minha Bell! Sabiam que os animais não se fingem respeitosos? Sabiam que a cacofilia ou seja a predilecção para as coisas más, ruins, feias e erradas, é próprio de gado mal formado, ampliando o meu amigo Baco, diria mesmo, é próprio de pessoa com defeito de fabrico. Deixo-vos só com isto porque vou musicar duas bonitas letras para eu cantar na noite cultural dedicada aos eleitos ao V Parlamento Infanto-Juvenil Cabo-verdiano a ter lugar no dia dezasseis. Praia, 1 de Junho 2006 Kaka Barboza Comentários (1)
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